Materia Bnei Noach


 

 

 

 

MATÉRIA – AS LEIS DE NOÉ

 

 

Temas:

 

Parte I – As Sete Leis de Noé

 

I.  A Crença em Deus

 

II. Roubo

 

III. Idolatria

 

IV. Relações Ilícitas

 

V. Estabelecer Leis Sociais

 

VI. Amaldiçoar o Nome de Deus

 

VII. Ingerir um Animal ou Partes Dele Enquanto Ele se Encontra com vida

 

VIII. Assassinato

 

 

Parte II – Preceitos Adicionais

 

IX. Preceitos Adicionais

   Atuar Corretamente e utilizar o Bom Senso

   Honrar e Respeitar os Pais

   Benevolência

   Causar Outra Pessoa Transgredir um dos preceitos

   Preces

   Criar Uma Nova Religião

   A Esterilização - Castração

   Misturar Dois Tipos de Árvores ou Animais Diferentes

   O Sábado

   O Estudo da Torah

   Circuncisão                                                                         

   Uma transgressão cometida Sem Intenção            

   Entregar a Vida Para não transgredir um preceito                    

   Causar Sofrimento aos Animais                                   

 

 

Parte III – Grandes Temas

 

X. Grandes Temas                                                             

 

   Noé e o Profeta Jonas – uma lição para a humanidade

    O Profeta Jonas                                                                  

    O Poder do Arrependimento                                        

    Noé e a geração do Dilúvio                                          

    A Arca de Noé                                                                     

  

    Adão e Noé – “Dois Princípios”                              

    Entendendo o erro de Adão de forma um pouco mais profunda   

   

    A Origem da Magia                                                    

    A Origem da Idolatria                                             

    A Atuação do Bem e do Mal                                

    As Forças Impuras                                                      

    Vida Depois da Morte                                               

     Casos Adicionais Referentes a Vida Humana        

 

 

 

Introdução

 

A Torah – Bíblia – foi entregue ao Povo de Israel para toda a humanidade; o objetivo deste texto é proporcionar entendimento e orientação básica para o cumprimento das leis universais para todos os interessados em cumpri-las; também ensinar aos integrantes do Povo de Israel sobre as leis de Noé – além de fazer parte do estudo da Torah – deve-se conhecê-las, pois não está permitido ajudar ou fazer com que um Ben Noach transgrida uma de suas leis; ao ajudá-lo, estará transgredindo o mandamento de não colocar um obstáculo diante de um cego – que inclui dar um conselho desfavorável ou ajudar alguém a concretizar uma transgressão.

 

Escutamos muitas pessoas se expressarem: “Eu sou uma boa pessoa, nunca matei ninguém, nunca roubei, não fiz nada de mau para ninguém...” Porém elas não imaginam que provavelmente possam estar transgredindo os preceitos universais todos os dias... Alguém já parou para pensar o que está incluído nos preceitos de não roubar, de não matar, de não praticar a idolatria?

 

Além das conhecidas “Sete leis de Noé”, existem suas ramificações e outros temas e preceitos universais que foram transmitidos de geração em geração – eles serão analisados no decorrer do texto...

 

Está incluído no preceito “E amarás o Eterno – o teu Deus...” o desejo que toda a humanidade reconheça a Sua grandeza e cumpra os Seus preceitos; portando propagar o Nome de Deus por todos os povos e fazê-los conhecer os Seus caminhos, proporcionando a todos cumprir os Seus mandamentos, é uma responsabilidade e obrigação. Assim fazia Abrahão, por seu grande amor ao Criador, aproximava as pessoas despertando nelas a fé em Deus. O amor ao Criador deve ser expressado em atos – através do cumprimento de Seus preceitos e atuando com o bom senso – sempre preocupando-se em atuar de forma correta. O objetivo da Criação é reconhecer a unicidade de Deus e cumprir os Seus preceitos – devemos nos esforçar para aproximar o mundo de seu objetivo.

 

 

 

As Sete Leis de Noé

 

 

A crença em Deus

 

 

A

 crença em Deus não se encontra explicitamente escrita nas Sete leis de Noé. Será que a fé no Criador é menos importante que os demais preceitos? Muito pelo contrário! A crença em Deus é uma pré condição ao cumprimento das outras leis. É ela quem define o verdadeiro valor de nossos atos. Citaremos como exemplo, uma pessoa que ajudou ao seu companheiro em certo momento de dificuldade... Sem dúvida que ela atuou corretamente e será recompensada pela sua atitude... Porém, qual é o verdadeiro valor do seu ato? Isso dependerá de quais foram suas intenções... Caso ela o ajudou por algum interesse pessoal – para receber uma gratificação ou um outro favor em troca – o ato terá um valor relativamente pequeno comparado a alguém que fez o mesmo ato com a simples intenção de ajudá-lo, sabendo que esta é a vontade do Criador – preocupar-se com o bem estar de seus semelhantes; podemos definir que, neste caso, ela cumpriu um preceito, enquanto a primeira simplesmente preocupou-se com seus próprios interesses.

 

Um Ben Noach deve ter fé no Criador – pois o cumprimento das leis universais sem a crença que foram ordenadas por Deus não tem valor – não proporcionará méritos para incluir a pessoa entre os justos da humanidade. Quem coloca a sua fé em Deus, será por Ele recompensado.

 

Seis preceitos foram entregues a Adão – o primeiro homem:

 

1. A proibição de praticar idolatria

2. Assassinato

3. Relações ilícitas

4. Roubo

5. Estabelecer leis sociais

6. Maldizer o Nome de Deus
 
Apesar de que mais tarde estas leis viriam a ser entregues a Moisés– junto com  os outros preceitos da Torah – vemos através das próprias escrituras que, mesmo antes da entrega da Torah, a humanidade já estava ordenada a cumprí-las.

 

Deus acrescentou um novo preceito através de Noé:

 

7. A proibição de ingerir um animal ou parte dele enquanto encontra-se em vida; formando um total de sete preceitos – essas são as conhecidas “Sete leis de Noé”.

 

 

Comer carne

 

Havia uma outra proibição remanescente da época de Adão – o primeiro homem – que foi permitido a Noé: o consumo da carne animal. Está escrito no livro Gênesis (1, 29-30) “...Deus disse (para Adão) eis que Eu entreguei para vocês toda erva... que se encontra na face da terra e toda árvore... como alimento; e para todos animais... toda erva servirá de alimento...”; podemos deduzir que somente as ervas iriam servir de alimento – tanto para os homens quanto para os animais – porém, os animais não serviriam de alimento para os homens.

 

A partir de Noé o consumo da carne animal foi permitido, como está escrito (Gênesis 9, 3): “Toda criatura viva (sendo ela propícia para alimentação) lhes será permitida por alimento como a vegetação das ervas...”; de todos modos ingerir um animal vivo ou partes dele segue proibido – como está escrito (Gênesis 9, 4): “...porém, não comereis a carne (de um animal) enquanto a sua alma estiver presente (no sangue)”

 

Portanto, está claro o motivo que Adão – o primeiro homem – não foi ordenado em relação ao preceito de não ingerir um animal ou parte dele enquanto ele estivesse vivo, pois, comer carne de um animal, estava absolutamente proibido; somente quando o consumo da carne foi permitido a Noé, surgiu a necessidade de acrescentar este novo preceito. [Mais tarde Deus acrescentou para Abrahão e seus descendentes novos preceitos como a circuncisão, preces, dízimo e restrições alimentares; até que – com a entrega da Torah através de Moisés – completaram-se os 613 preceitos que foram ordenados ao Povo de Israel]

 

 

Por que o consumo de carne foi permitido a Noé?

 

Havia um decreto de destruição para todos os seres vivos através do dilúvio, graças aos méritos de Noé eles foram salvos e seguiram existindo – portanto lhe foi permitido consumi-los; Noé também esforçou-se e empenhou-se para sustentá-los dentro da arca; finalmente Noé conquistou com a sua dedicação a promessa de que Deus nunca mais voltaria a destruir a terra e todos os seus habitantes.

 

 

 

ROUBO

 

 

 

O

preceito do roubo é lógico e conhecido; por transgredí-lo a geração do dilúvio recebeu o veredito final. Inclusive se a proibição de roubar não tivesse sido ordenda pelo Criador, todos teriam que – pela própria lógica humana – não transgredí-la.

 

Nossos Sábios exclamaram: “Vejam a grande força da má influência causada pelo roubo – Eis que a geração do dilúvio transgrediu todos os preceitos universais – contudo,  o veredito final do dilúvio foi decretado somente quando foi julgada pela transgressão do roubo” (Talmud).

 

Apesar das pessoas da geração do dilúvio terem se corrompido também com a prática da idolatria e imoralidade, está escrito: “...Deus disse a Noé: O fim de toda carne veio diante Mim, pois o mundo encheu-se com seus roubos, portanto Eu os destruirei junto com ele”. Deste versículo aprendemos que o veredito final do dilúvio foi decretado por causa do roubo (Gênesis 6, 13).

 

 

Por que o roubo é tão grave?

 

O roubo acaba com a qualidade de vida das pessoas; imaginem... Uma pessoa que lutou e se esforçou por vários e vários anos em construir um negócio, conquistando finalmente um padrão de vida mais elevado e um de seus funcionários, sem nenhum sentimento, em um golpe, termina com tudo; simplesmente pelo desejo de conquistar o que não lhe pertence.

 

As pessoas andam na rua com medo, não podemos caminhar em vários locais – principalmente no horário noturno... Os prédios se transformaram em grandes “gaiolas” com seguranças e sistemas de vídeo... Pessoas responsáveis em se preocupar com as necessidades de determinado público, desviam o capital designado para tal fim, para satisfazer seus próprios interesses ou simplesmente depositam em suas contas pessoais, causando fome, doenças e mortes...

 

Por outro lado, como seria um mundo sem roubo? Quanta tranqüilidade, quanta despreocupação... Simplesmente outro nível de vida... O roubo “rouba” a privacidade e a qualidade de vida. Portanto o preceito do roubo é lógico e conhecido.

 

De todos modos, nossos Sábios estudaram a origem da proibição universal do roubo através de um versículo da Torah (Gênesis 9, 3) “Toda criatura viva (sendo ela propícia para alimentação) lhes será permitida por alimento como a vegetação das ervas...” – o versículo cita as ervas, pois elas crescem espontaneamente em terrenos públicos, sem o esforço do ser humano – para nos ensinar que somente elas nos foram permitidas; porém está proibido agarrar a produção de nossos semelhantes sem uma autorização prévia; portanto, o conceito do roubo encontra-se incluso neste versículo.

 

Tanto o roubo de dinheiro (ou outros pertences) quanto o sequestro (“roubo de pessoas”) estão proibidos. Mesmo quando se trata de uma quantia insignificante – está totalmente proibido roubar.

 

Não pagar em dia o salário de um funcionário ou por um serviço prestado é considerado roubo. Da mesma forma o pagamento pelo aluguel de um carro, apartamento ou qualquer outro utensílio que não for efetuado no momento previamente combinado será considerado roubo. Também uma pessoa que retém em suas mãos qualquer quantia de dinheiro ou utensílio, após ter chegado o momento de entregá-lo ao seu legítimo dono, estará transgredindo este preceito.

 

Em uma discussão monetária, quando duas pessoas não chegam a um acordo elas devem procurar solucionar o problema através de um tribunal jurídico e devem respeitar o veredito – e não fazer como lhe parecer – “com as próprias mãos”. Todos os casos judiciais entre duas pessoas estão incluídos no preceito de não roubar. [Os integrantes do Povo de Israel devem procurar um Tribunal Rabínico]

 

Também é considerado roubo um ladrão que rouba de outro ladrão.   

 

Não se deve comprar um objeto roubado de um ladrão, pois, desta forma, o estimulamos a cometer novos furtos – transgredindo o preceito de não roubar.

 

 

Qual é o limite do comportamento correto?

 

Traremos um relato do Talmud onde vemos o comportamento de um grande justo conhecido como “Aba Chilkia” que viveu em torno de 2000 anos atrás.

 

...Nas épocas de seca, os Sábios enviavam mensageiros ao Justo Aba Chilkia para que ele pedisse – através de suas preces – a piedade do Criador para que lhes trouxessem chuva. Uma vez, dois Sábios foram enviados como mensageiros; chegaram na casa do Justo e não o encontraram ali; foram procurá-lo no campo e logo encontraram-no arando o solo; cumprimentaram-no porém ele não respondeu. Então os dois Sábios esperaram o Justo finalizar o trabalho – ao anoitecer. Observaram-no colocar a madeira e os instrumentos de trabalho sobre um de seus ombros e uma veste dobrada sobre seu outro ombro. Caminhou todo o trajeto descalço e justo quando havia água no caminho, calçava os sapatos; quando haviam plantas espinhosas dobrava as calças descobrindo a parte inferior das pernas. Ao chegar na cidade observaram que sua esposa veio recebê-lo toda enfeitada e adornada; também observaram sua esposa entrar  em casa primeiro, sendo seguida por ele e pelos Sábios [A conduta correta – segundo a Torah – seria que antes entrasse o homem e depois a mulher por questões de recato – pois caso contrário poderia causar pensamentos indecentes ao observar a mulher andando na sua frente].

 

O Justo arrumou a mesa para a refeição e não os convidou a participar. Os mensageiros observaram como ele dividia as porções: para o filho mais velho serviu um pedaço de pão e para o mais novo dois pedaços.

 

O Justo  Aba Chilkia comentou silenciosamente com sua esposa: “Eu sei que os Sábios estão me procurando para que eu suplique por chuva – vamos subir no terraço e pedir pela piedade de Deus, quem sabe Ele receberá nossas orações e nos trará chuva; desta forma parecerá aos olhos deles que a chuva não chegou pelas nossas preces e não receberemos toda a honra”. Subiram no terraço e se posicionaram em cantos opostos do terraço. As nuvens começaram a chegar pelo lado onde sua esposa rezava, chegando somente depois pelo lado onde ele rezava.

 

Quando desceram do terraço, o Justo Aba Chilkia perguntou para os dois Sábios que vieram lhe procurar:

 “Por que vieram?”

“Nós fomos enviados para que o Sr. reze pela piedade do Criador para nos trazer chuva” – responderam os Sábios.

Respondeu o Justo: “Vejam só, graças a Deus a chuva chegou e vocês não precisam mais de mim!”

“Nós sabemos que a chuva veio por sua causa” – retrucaram os Sábios... “Porém nos explique o seu comportamento, nós estamos simplesmente perplexos”. (Os Sábios queriam aprender novos princípios através de sua conduta)”.

 

1. “Por que o Senhor não respondeu quando nós lhe cumprimentamos?”

O Justo respondeu: “Eu recebo o salário pelo tempo de trabalho, portanto durante o período em que estou trabalhando não posso parar – pois estaria recebendo dinheiro pelo tempo que não trabalhei”.

 

2. “Por que o Senhor colocou a madeira em um de seus ombros e a veste no outro ombro – o correto não seria colocar as madeiras sobre as vestes para não machucar os ombros?”

O Justo respondeu: “A veste não é minha, eu peguei emprestada para vestí-la e não para proteger-me das madeiras que poderia rasgá-las”.

 

3. “Por que o senhor caminhou descalço durante todo o caminho e justo quando passava pela água vestia os sapatos – o correto não seria vestí-los durante todo o caminho e retirá-los ao passar pela água para não encharcá-los?”

O Justo respondeu: “Eu posso ver o que se encontra no caminho e posso caminhar descalço, porém, eu não vejo o que se encontra dentro da água – pode haver algum réptil perigoso e me picar, portanto eu necessito proteger-me – O Justo Aba Chilkia era pobre e não possuía meios para comprar novos sapatos, portanto os calçava o mínimo necessário para não estragá-los.

4. “Por que o senhor dobrava as calças ao passar por plantas espinhosas?”

O Justo respondeu: “A minha perna pode curar-se dos arranhões – porém – se minha calça rasgar eu não tenho como comprar novas”.

 

5. “Por que a sua esposa veio te receber toda enfeitada e adornada?”

O Justo respondeu: Para que eu fique satisfeito com ela; e maus pensamentos – em relação a outras mulheres – não venham me perturbar”.

 

6. “Por que a sua esposa entrou primeiro e depois o senhor entrou e nós entramos por último?”

O Justo respondeu: “Eu não ofereci para vocês entrarem primeiro pois a conduta correta é que primeiro entre o dono da casa e logo os convidados; também não me pareceu correto entrar primeiro deixando a minha esposa do lado de fora sozinha com vocês; tampouco me pareceu correto que vocês entrassem logo depois de minha esposa para que não viessem a caminhar atrás dela; portanto foi ela quem entrou primeiro,  e logo eu entrei para convidá-los a entrar”.

 

7. “Por que o senhor não nos convidou a  participar da refeição?”

O Justo respondeu: “Pois eu não tenho comida suficiente para oferecê-los... Pensei... mesmo os convidando para comer não haveria o que serví-los, portanto eu receberia gratuitamente a honra por lhes ter convidado.”

 

8. “Por que o senhor entregou para o filho mais velho um pedaço de pão e para o mais novo dois pedaços – não haveria de ser o contrário?”

O Justo respondeu: “O meu filho mais velho se encontra em casa e sempre pode encontrar algo para “colocar na boca” – porém o mais novo se encontra estudando fora de casa e não come nada durante todo o dia”.

 

9. “Vimos o senhor e sua esposa rezando no terraço... Por que as nuvens chegaram primeiro pelo lado dela e somente depois pelo lado do senhor?”

O Justo respondeu: “Pois minha esposa sempre se encontra em casa e quando um pobre solicita ajuda, é ela quem oferece à ele uma porção de comida; quando eu me encontro em casa e chega um pobre, eu ofereço dinheiro e ele todavia tem que comprar comida e prepará-la – a minha esposa já oferece comida pronta, sendo maior a sua benevolência. Ou então pelo fato que havia maus elementos em nossa vizinhança,  e eu orava perante o Criador contra eles e ela rezava para que eles retornassem ao bom caminho... e realmente retornaram – talvez por isso as nuvens chegaram primeiro pelo lado onde ela se encontrava.

 

Em outra passagem do Talmud os Sábios louvaram a grande justiça de Aba Chilkia até o ponto onde explicaram que o Salmos, no capítulo 15; versículos 1 e 2“...Deus, quem habitará em Tua tenda? Quem se assentará em Teu sagrado monte? Uma pessoa íntegra que atua com justiça...” – está fazendo uma insinuação ao Justo Aba Chilkia.

 

 

 

O Ladrão sempre sai perdendo!

 

“...Dois comerciantes fecharam um acordo depois de muitas negociações. O produto em questão era um elemento necessário na produção de um determinado produto medicinal – cada quilo seria vendido por uma moeda de ouro local; agora faltava somente pesar cada quilo, entregá-lo ao comprador e receber dele uma moeda de ouro.

 

Uma vez que seria uma negociação de valor muito elevado, o comprador sugeriu:

“A cada dez quilos pesados eu colocarei uma moeda de ouro sobre a mesa como sinal; no final nós multiplicaremos o número de moedas que se encontrarem sobre a mesa por dez, e então esta será a quantidade verdadeira de moedas que eu te entregarei”.

“Confirmado” – concluiu o vendedor.

 

À medida em que os quilos iam sendo pesados – o monte de moedas sobre a mesa ia crescendo. O vendedor ao ver as atraentes moedas de ouro brilhando sobre a mesa foi atacado pelo desejo de adquirí-las; esperou uma oportunidade... Quando percebeu que o comprador se virou para ajeitar a mercadoria adquirida em um canto da sala onde se encontravam, começou a roubar as moedas que se encontravam sobre a mesa; e assim fazia a cada oportunidade... Pela grande tentação de adquirí-las ele se esqueceu que cada moeda lhe valeriam dez moedas; logo cada moeda de ouro roubada lhe faria perder outras nove. Ele estava convencido de estar “lucrando” uma moeda de ouro em cada roubo efetuado, porém – na verdade – estava perdendo nove”.

 

Uma pessoa nunca lucrará com o roubo; aparentemente poderá lhe parecer estar ganhando, porém, na verdade, estará perdendo muito mais. Através do roubo uma pessoa poderá estar recebendo neste mundo o pagamento de suas boas ações, mas, quando  sua alma retornar ao mundo espiritual já não será recompensada; no momento do roubo ela poderá se sentir feliz pelo “lucro” obtido, mas chegará o momento onde deparar-se-á com a amarga realidade – neste mundo ou no próximo. [Baseado nas fábulas do Sábio Israel Meir – HaChafets Chaim]

 

 

“O destino de todo ladrão é a auto-destruição” – O roubo lhe parece doce e agradável, porém na verdade está destruindo a sua própria alma.

 (baseado em Provérbios 1, 19)

 

 

 

 

Idolatria

 

 

E

stá totalmente proibido sacrificar, rezar, acender incensos, oferecer oferendas ou fazer qualquer tipo de “trabalho” para espíritos, “forças”, estátuas ou qualquer outra entidade material ou espiritual. Tampouco devemos nos relacionar com qualquer força da natureza considerando-a independente de Deus; em resumo, devemos somente rezar e nos conectar diretamente com Quem criou e controla toda a Criação – o  Criador do Universo. Deus é muito exigente em relação a idolatria.

 

Imaginem...

Uma pessoa que se esforçou toda a sua vida, com todo o coração e dedicação para criar o seu filho da melhor maneira possível; esforçou-se dias e noites... Finalmente – “depois de muito suor” – o filho cresceu, prosperou e começou a construir sua própria vida em outra cidade.

 

Certa vez, estava passando por uma situação financeira “meio apertada” e encontrava-se sem condições de pagar as suas contas mensais; ao saber da difícil situação em que seu filho se encontrava, o seu pai sentiu uma forte dor no coração e – novamente – com muito esforço, conseguiu juntar uma razoável quantia de dinheiro para ajudá-lo. Naqueles dias, um velho conhecido da família teria que viajar justo ao local onde o seu filho encontrava-se; o pai aproveitou a oportunidade e enviou a bela quantia de dinheiro que havia juntado para ajudá-lo, e finalmente ele pôde pagar as dívidas, sobrando ainda um pouco para as próximas contas.

 

Ele ficou tão agradecido que inclusive colocou uma foto desse velho conhecido na parede principal da sala de sua casa e falava abertamente para todos que tudo o que possuía devia-se à ajuda proporcionada por ele ao trazer-lhe o dinheiro.

 

Passado algum tempo, quando seu pai veio lhe visitar, perguntou de quem era a foto que se encontrava em um lugar tão destacado e qual o motivo dela estar ali... de receber tal honra.

 

Então o filho respondeu: “Você não se lembra? Ele é nosso velho conhecido, e eu devo reconhecer tudo o que ele me fez – para ele eu devo todo o reconhecimento; tudo o que eu tenho e todo o meu sucesso é somente graças à ele; a foto na parede é somente um símbolo para lembrar-me de todo o amor que eu sinto por ele...”

 

Quão amargo deve ser o sentimento de seu pai, que lhe pôs no mundo e sempre preocupou-se em suprir todas suas necessidades, dando-lhe as ferramentas necessárias para  fazê-lo crescer e se desenvolver da melhor maneira possível, com todo o seu esforço e amor!

 

Esta idéia é somente uma pequena amostra do absurdo envolvido na prática idólatra; Deus nos criou, nos proporciona a vida, criou todo o universo e a natureza para nos proporcionar o cenário ideal para que possamos seguir vivendo... Imaginem agora que chega um sujeito e começa a servir à um ídolo e o coloca no lugar de Deus... Que vergonha... Como essa pessoa poderá “encarar” a revelação de Deus?

 

Tipos de Idolatria

 

Colocar flores no mar para qualquer tipo de entidade;

Acender incensos para entidades espirituais;

Oferecer qualquer tipo de oferenda – por exemplo – comida, bebida ou animais para qualquer tipo de entidades espirituais ou materiais;

Plantar árvores para uma entidade espiritual;

Não está permitido fazer estátuas ou inclusive outras figuras colocando uma importância sobre-natural. [Para um integrante do Povo de Israel não está permitido fazer ou manter em seu domínio estátuas de seres humanos, mesmo que não lhe coloque uma importância sobre-natural]

 

Se relacionar com forças energéticas ou astrológicas como se fossem forças independentes de Deus; essas e todas outras forças são criações de Deus, estando subordinadas à Ele, e ao considerá-las independentes estaríamos dividindo e limitando o poder de atuação do Criador. Portanto, alguém que pesquisa o mapa astral ou se relaciona com algum tipo de tratamento energético deve ter sempre em mente que eles são simplesmente parte da Criação Divina e estão subordinados à Ele.     

Não está permitido construir uma pedra com o objetivo de prostrar-se sobre ela – mesmo que seja para Deus; também não devemos nos prostrar sobre uma pedra – ou um assoalho de pedra – já existente.

 

Existiram épocas em que as pessoas inclusive sacrificavam os seus próprios filhos em suas práticas idólatras, como citaremos em seguida. Eles acreditavam que ao sacrificar o próprio filho teriam sucesso em seus afazeres.

 

 

A Idolatria do “molech”

 

1. Os adeptos dessa idolatria esculpiam uma estátua de ferro com cara de animal e mãos humanas – estiradas – prontas para receber alguém sobre elas. O local de sua barriga era oco, e ali eles acendiam uma fogueira. Dependendo da importância do sacrificio que seria oferecido, a pessoa entrava em um compartimento mais próximo da estátua do “molech”. O compartimento mais íntimo – junto ao ídolo – estava reservado somente para quem sacrificasse o seu próprio filho.

 

O pai beijava o ídolo; os sacerdotes idólatras acendiam o fogo nas entranhas da estátua – no espaço oco; quando as mãos da estátua encontravam-se encandecidas – o filho era colocado sobre elas. Os tambores eram acionados; os gritos da criança se misturavam com o som aterrorizante dos tambores.

  

2. O pai entregava o seu próprio filho aos sacerdotes idólatras. Eles acendiam duas fogueiras – uma de cada lado do caminho – e faziam com que ele corresse entre as fogueiras, até queimar-se e cair morto.

 

 Em relação a esta idolatria nos advertiu a Torah: “De sua semente (filhos) não entregará para passar (pelo fogo – como sacrifício) para 'molech'” (Levítico)

 

 

A Idolatria do “baal”

 

Queimavam o filho por completo na esperança de receber uma informação oculta através de sonho ou “profecia” – esses são os conhecidos  “profetas do baal” (falsos profetas) que sacrificavam seus filhos e filhas e recebiam falsas profecias através das forças impuras.

 

Magia e Bruxaria

 

Através da magia e determinados procedimentos, é possível interferir no processo natural de controle dos acontecimentos da criação. Ou seja, Deus nos concedeu uma ferramenta que possibilita a interferência em Sua Providência no mundo (Ramban).

 

Dentro de certos limites, Ele nos possibilita atuar contra a Sua vontade pré-estabelecida. Desta forma, temos o poder de optar com que força nos conectar. Aquele que se relaciona com a magia ou com a bruxaria está indo contra a Providência Divina. Daí a constatação de que estas práticas são proibidas. Quem se associar com estas forças estará se afastando da Luz do Criador e estará se desviando do objetivo pelo qual o mundo foi criado.

 

Deus possibilita o acesso a essas forças para permitir o livre-arbítrio, ou seja, o poder de decidir com que fonte espiritual conectar-se. Porém devemos ter em mente que essas forças têm a permissão de mentir e incitar a pessoa a tomar decisões equivocadas, e também podem causar danos à sua alma, e até mesmo ao seu corpo. Esta informação também consta no Talmud – onde está escrito que, além de proibido, também é perigoso relacionar-se com forças impuras. Elas podem até mesmo apoderar-se do corpo de uma pessoa (como consta no Midrash): Deus conferiu o Seu semblante ao ser humano, e enquanto permanecer fiel a este Semblante, qualquer força de impureza fugirá de seu caminho. Ao desprezar a Deus — se conectando com estas forças, o ser humano afasta-se do seu semblante original, conectado ao Divino, e as forças impuras podem dominá-lo. Nossos Sábios explicam que aquele que decide lidar com bruxaria ou com forças de impureza não garante para si um bom futuro e que as conseqüências podem incluir até danos corporais em si próprio ou em seus filhos; também poderá diminuir o seu tempo de vida e de sua descendência.

 

Portanto, aquele que, com a esperança de adquirir uma certa tranqüilidade, decide fazer qualquer tipo de pacto com forças impuras ou espíritos, está pondo em risco a sua eternidade, pois ao invés de conectar-se diretamente com Deus opta em conectar-se com forças de impureza.

 

Está totalmente proibido entregar oferendas para espíritos em cemitérios ou em qualquer outro local; também oferecer para qualquer outra entidade espiritual ou material – por exemplo – colocar flores no mar para entidade do mar, oferecer qualquer tipo de comida ou bebida para certas entidades espirituais ou qualquer outro trabalho do gênero, está totalmente proibido – tudo isso é considerado prática idólatra, como já foi citado anteriormente.

 

O ato de queimar incenso para as forças impuras, ou entes espirituais, mesmo que não seja para servi-los, mas, para trazê-los e direcioná-los para que cumpram a sua vontade, é definido como prática idólatra (Shulchan Aruch).

 

 

 

“O Feitiço Volta Contra o Feiticeiro”

 

Ao praticar bruxaria, o indivíduo cria uma força de impureza; ela deseja direcioná-la contra certa pessoa para prejudicá-la; porém, caso — por algum motivo – essa força de impureza não seja absorvida pela pessoa desejada, a mesma força retornará e se conectará com quem a criou. O mesmo mal que desejava causar para uma outra pessoa retornará para si próprio. 

  

 “Um belo dia, observei que a pele em certo local de meu corpo estava machucada — ela estava muito esquisita – como as escamas de um peixe; a ferida estava crescendo. Um médico especialista me afirmou ser uma doença muito rara. Nenhum tratamento fez efeito.

 

Eu, sem saber o que fazer, procurei um centro espírita – todavia eu não sabia das conseqüências que poderiam acarretar e tampouco da proibição de frequentar esses lugares – eles me falaram que alguém havia realizado um trabalho de bruxaria contra mim; porém era um trabalho muito forte e eles não conseguiram me liberar...

 

Realmente me lembrei de um amigo que mexia com essas “coisas de bruxaria”, nós havíamos brigado recentemente – uma briga feia – e logo depois a doença começou. Estava claro para mim que ele era a causa do problema. 

 

Assim fui de centro em centro – todos me contaram a mesma história – e ninguém conseguiu me livrar da bruxaria.

 

Finalmente me encontrei com um Rabino e expliquei o problema. Ele me aconselhou a começar a respeitar o Shabat, colocar Tefilin e recitar “Shemá Israel” duas vezes por dia – de manhã e de noite ; Devia cumprir com estes mandamentos com todo coração confiando que Deus está a cima de tudo – na verdade eu já acreditava em Deus, portanto para mim não foi complicado seguir os conselhos do Rabino.

 

Imediatamente, após haver colocado os conselhos em prática, a doença começou a regredir; até que em poucos dias – talvez duas semanas – eu já estava totalmente curado.

 

Porém algumas semanas mais tarde eu fiquei impressionado com o que eu vi – quase desmaiei no próprio local. Estava caminhando em Guarujá, e encontrei o meu antigo “amigo” — esse que havia praticado o trabalho de bruxaria contra mim – sentado no “Centrinho”. Não acreditei no que eu estava vendo. Ele usava bermudas e, em uma de suas pernas, ali estava a doença, a mesma doença rara que me atacou!!!”(Alguns dados do depoimento foram modificados propositalmente para evitar uma possível identificação”). [Extraído do livro “O Místico”]

 

 

Um Único Poder

 

Todos devem saber e acreditar que existe um único poder – Eterno – e Ele criou e mantém tudo o que se encontra na existência. Ele – por ser ilimitado – podemos entender somente parte de Sua forma de atuar – através do que nos foi revelado na Criação ou nas escrituras, porém, nossas limitações, não nos permite entender de Sua essência em absoluto. Ele é único e não existe nenhum outro poder fora Dele ou que se juntou com Ele. Todas as criaturas existentes – tanto no mundo material quanto no espiritual – existem somente por ser a vontade Dele e a permanência de toda Criação e criaturas dependem de Sua vontade; ninguém, exceto Ele, possui existência independente.  

 

Porém, ao perceberem a existência do bem e do mal, muitas pessoas se equivocam ao concluir que existem dois poderes independentes – o poder do bem “nas mãos” de Deus, e o poder do mal “nas mãos” do “diabo” ou algo do gênero.

 

Muitas vezes esta falsa conclusão é oriunda de uma visão limitada da atuação Divina... A visão popular foi influenciada pela idéia de que uma entidade boa é caracterizada pelos atos de benevolência – entregar presentes, sempre estando pronto para ajudar independente de qualquer pré-condição... esta idéia causa uma deturpação no conceito da palavra “Deus”. Quando falamos que Deus é bom, estaremos limitando a Sua atuação por este falso conceito – logo este “deus” não será o verdadeiro Deus citado na Torah; é outro “deus”, como se fosse uma idolatria com o mesmo nome de Deus, pois um controle justo e verdadeiro exige uma atuação diferente para cada caso. Um pai para fazer o seu filho crescer e prosperar terá que repreendê-lo em diversas ocasiões – desta forma ele será um bom pai... de verdade! A bondade é um dos atributos de Deus, existe também o atributo de justiça – entre outros – e em cada caso haverá um equilíbrio apropriado de bondade e justiça para que o bem verdadeiro possa ser alcançado.

 

A pessoa imagina o que seria uma pessoa extremamente bondosa e transfere essa definição para Deus, formando desta forma a imagem de Deus em sua mente dentro dessas limitações. Assim, o cenário para o erro já está formado; agora qualquer acontecimento que, segundo o seu entendimento, contradiz este princípio – por exemplo: o sofrimento de uma pessoa boa, uma guerra, um desastre ecológico, etc. – causará uma contradição na existência de um Deus ou à conclusão da existência de um poder independente do lado do mal, o que é considerado idolatria. Porém, somente a imagem que estava formada na cabeça da pessoa foi contradita, pois, na verdade, esse deus que estava formado em sua cabeça nunca existiu; era simplesmente uma imagem ilusória formada pelo entendimento limitado do “bem” existente nessa pessoa. Como uma criatura limitada pode definir o Criador que não está limitado? O bem de Deus é ilimitado, ele visa preparar a pessoa para usufruir um prazer eterno.

 

[No Capítulo “Grandes Temas” se encontram mais detalhes sobre este assunto nos tópicos: “A Atuação do bem e do Mal” e “As Forças Impuras”]

 

 

 

 

Relações Ilícitas

 

 

 

A

lém do aspecto espiritual, os preceitos da Torá visam um bem estar social. Colocar ordem, respeito e responsabilidade em nosso dia a dia. Violar os preceitos da Torah significa introduzir imoralidade, desrespeito e desordem na humanidade... Um ataque à honra do ser humano, aproximando-o ao estilo de vida animal.

 

Por exemplo, os preceitos referentes às relações ilícitas, além de proteger a alma da pessoa – evitando os danos causados através dos relacionamentos proibidos – também garante a honra e o respeito familiar; e o bem estar social. Imaginem um mundo onde não existe suspeitas entre os conjugues de um casal; ou seja, a confiança plena “paira” no ambiente do lar... Onde as pessoas vivem despreocupadas com a traição... Quanta segurança e prazer acrescentaria na vida de cada um... Quantos problemas seriam evitados... Um outro nível de qualidade de vida... Tudo isso simplesmente pela decisão de cumprir os estatutos do Criador. Ao transgredir os preceitos – além dos danos espirituais causados na própria alma da pessoa – ela estará “minando” o estilo de vida ideal.

 

Neste capítulo trataremos dos preceitos referentes às Relações ilícitas de forma mais detalhada. 

 

 

Seis tipos de relações estão proibidas para toda a humanidade:

 

1. Relação com a mãe

2. Relação com a esposa do pai (que casou-se com outra mulher)

3. Relação com uma mulher casada com outro homem

4. Relação com sua irmã

5. Relação entre dois homens

6. Relação com animais

 

Como está induzindo o versículo (Gênesis 2, 24):

 

“Portanto deixará o homem o seu pai e sua mãe e se juntará com sua esposa e serão como uma só carne”

 

Explicação: “Portanto deixará o homem o seu pai (induz à relação com a esposa de seu pai mesmo depois de sua morte – veja a nota em seguida) e sua mãe (induz à relação com a sua mãe) e se juntará com sua esposa (“com sua esposa” e não com a esposa de outro homem, “com sua esposa e não com um outro homem) e serão como uma só carne” (intui à proibição de ter relações com animais – pois eles não são apropriados a formar “uma só carne” junto com um ser-humano). [Nota: “Portanto deixará o homem o seu pai” induz a relação com a esposa de seu pai – e não a proibição de relacionar-se com o próprio pai – pois esta proibição já incluí-se na proibição de relacionar-se com outro homem; também vemos no Livro Levítico (capítulo 18, 8) que a Torah utiliza o termo “pai” referindo-se à “esposa de seu pai”]

 

Somente uma mulher casada estrá proibida para outro homem, porém, sempre que não houver a intenção de adquirir o matrimônio através do relacionamento, ela seguirá permitida para outro homem; como está escrito (Deus Falou para Avimelech, rei de Guerar:) “Eis que você morrerá por ter tomado uma mulher casada” – somente se for casada. [Porém para um integrante do Povo de Israel somente será permitido o relacionamento após adquirir o matrimônio segundo as Leis da Torah]

 

 

A partir de quando uma mulher divorciada estará permitida para outro homem?

 

No momento em que o homem a retirar de sua casa (caso a casa seja dele) ou quando ela sair de seu domínio e se retirar tornando-se independente, automaticamente estará permitida para outro homem. Não é necessário um divórcio por escrito, a separação dependerá somente da vontade do casal; porém deve-se respeitar as leis sociais decretadas pelo domínio onde eles vivem. [Um integrante do Povo de Israel somente estará permitido se casar com outra pessoa após um divórcio segundo as Leis da Torah]

 

Devemos ter em mente que construir uma família descente com valores verdadeiros – cumprindo as Sete leis de Noach e suas ramificações – educando os filhos com amor em um ambiente familiar positivo e honesto, com respeito mútuo entre os conjugues – é o caminho ideal – ele deve ter prioridade e ser ansiado por todos.

 

 

 

Estabelecer Leis Sociais

 

 

 

N

omear juízes e guardas para garantir o cumprimento das leis, pois a justiça deve ser feita através do juízo e não com as próprias mãos. De fato, em cada cidade deve haver um tribunal e deve-se nomear juízes para advertir e julgar o público de acordo com as leis de Noé. Os juízes também deverão julgar em relação ao cumprimento das leis sociais – por exemplo – responsabilidades e cuidados nos serviços prestados, abuso sexual ou financeiro, agressões físicas, leis de empréstimos, vendas, especulação de preços e outras questões financeiras e sociais.

 

Na verdade, as leis sociais são para o nosso próprio bem, uma vez que elas nos proporcionam as condições de vida necessárias em quase todos os campos... Por exemplo, as regras de trânsito... Como seria o trânsito se não houvesse contra-mão... Todas as ruas estariam congestionadas... Se não houvesse semáforos, quem se atreveria a dirigir? O limite de velocidade, as multas, na verdade todas essas regras são para o nosso próprio bem. Sem as punições, cada um faria o que bem entendesse – seja colocando as vidas de seus semelhantes em perigo ou molestando os pedestres e outros motoristas; ou estacionando o carro em locais indevidos, etc, etc...

 

Da mesma forma, existe uma preocupação em manter hospitais e suprir medicamentos possibilitando o tratamento necessário também para os necessitados, escolas públicas e cursos profissionalizantes para proporcionar estudo e sustento para todas as classes da população.

 

  Construir e manter estradas, segurança – inclusive a preocupação de colocar salva vidas nas praias, iluminação, posto de saúde, defesa ao consumidor, aposentadoria, asilos, orfanatos, liberdade de expressão... Em resumo, a constante preocupação em proporcionar  o bem estar da população de forma geral em todos os sentidos é fundamental.

 

Realmente é uma pena que, em vez de preocuparem-se com nossos semelhantes, muitos dos responsáveis pelas necessidades públicas, preocupam-se e ocupam-se em suprir os seus próprios interesses; eles terão que prestar contas, ao deixar este mundo, por todas as conseqüências causadas pelos seus atos... Mesmo que eles nem imaginaram, estando em vida, a que proporções seus atos chegariam... Por exemplo, alguém que estava a cargo da manutenção das estradas, porém, desviou uma parte da verba para seus interesses ou contas bancárias particulares e o capital restante não foi suficiente para sinalizar ou consertar o asfalto de todas as pistas necessárias; um tempo passou e aconteceu um acidente por causa de um defeito no asfalto – como um buraco não tampado – ou por falta de sinalização; como conseqüência do acidente, um dos passageiros de um dos automóveis ficou aleijado... Essa pessoa – que estava a cargo de manter as boas condições das estradas – terá que prestar contas por todo o sofrimento que este passageiro teve que vivenciar durante toda a sua vida... Pela dificuldade de locomoção, a vergonha que sentiu pela sua nova aparência, a limitação no potencial de trabalho e lazer, dificuldade de encontrar uma esposa e criar a sua familia, etc.  Além de todos os outros acidentes, mortes, prejuízos financeiros causados ao longo dos anos... Podemos dizer que a corrupção leva ao assassinato... Assim também no campo da saúde, ensino, segurança, economia, etc.

 

 

 

 

Amaldiçoar a Deus

 

 

 

D

evemos nos relacionar com cada assunto de nossas vidas de acordo com o seu respectivo valor. Ao valorizar algo desprezível ou desprezar algo valioso estaremos deturpando a 'visão de vida' correta e também causando com que outras pessoas entrem nessa confusão de valores. Ao amaldiçoar a Deus, a pessoa estará profanando um conceito Supremo de máxima importância, diminuindo dessa forma, o grau de reverência que deveríamos ter com Ele; estará afastando a si próprio e as demais pessoas do nível adequado de reconhecimento ao Criador. Em resumo, estará deturpando os valores reais da existência de forma máxima.

 

Portanto, está totalmente proibido amaldiçoar a Deus. Fonte na Torah: “Homem homem – ou seja, Toda pessoa – que amaldiçoar Deus carregará seu pecado” (Levítico 24, 15). Por que a Torah se expressa com o termo “Homem homem” – duplamente?

 

Para nos ensinar que além do Povo de Israel também os Bnei Noach estão proibidos de amaldiçoar a Deus – Assim explicaram nossos Sábios no Talmud; ali encontramos outras formas de estudo em que nossos Sábios ensinaram que o preceito de não amaldiçoar a Deus foi entregue a toda humanidade.

 

Também consta no Talmud que uma pena severa é aplicada a quem amaldiçoa a Deus.

 

 

 

 

 

Ingerir um animal ou parte dele enquanto ele estiver com vida

 

 

 

A

crueldade é uma característica que devemos erradicar de nossas personalidades; ao contrário, devemos cultivar e estimular o sentimento de fraternidade e benevolência. Portanto, qualquer ato que estimule a crueldade deve ser evitado. A ingestão de um animal – ou parte dele – ainda com vida é um ato extremo que desenvolve na pessoa a característica da crueldade, estando assim, proibido pela Torah.

 

Ingerir um animal ou parte dele enquanto ele estiver com vida – independente da quantidade – está proibido; como está escrito (Gênesis 9, 4): “...porém, não comereis a carne (de um animal) enquanto a sua alma estiver presente (no sangue)”

 

Podemos entender certos motivos pelos quais a Torah proibiu ingerir partes de animais retiradas com vida – por exemplo – não fazê-lo sofrer; ou não desenvolver na pessoa a característica da crueldade; porém, sobre todos os motivos, este preceito é um decreto Divino e vigora mesmo em uma situação onde os motivos não estão presentes – por exemplo, caso o membro do animal separou-se dele acidentalmente; de todos modos, está proibido ingeri-lo. Também não será permitido ingerir o membro de um animal retirado com vida, mesmo após a sua morte.  

 

Está permitido para os Bnei Noach ingerir o sangue extraído de um animal mesmo que ele se encontre em vida.

 

Mesmo em relação a um animal que já tenha sido abatido, enquanto seguir se movimentando, um Ben Noach está proibido de ingerir parte dele.

 

Os peixes, répteis e os insetos estão fora dessa regra; portanto ingerir certos tipos de insetos ou vermes vivos – como certas pessoas ingerem para usufruir de suas vitaminas – está permitido para os Bnei Noach; porém, de todas formas, não deve-se ingeri-los com vida – para não causá-lo um sofrimento desnecessário.  [Para um integrante do Povo de Israel está proibido; somente os animais e aves que constam nos versículos da Torá estão permitidos para ele; também o abatimento e preparação da carne devem ser feitos segundo os rituais judaicos] 

 

 

 

 

 

Assassinato

 

 

 

O

 assassinato está proibido. Fonte na Torá: “Quem derramar o sangue de um homem, (também) pelo homem o seu sangue será derramado, pois o homem foi criado com a Imagem de Deus” (Gênesis 9, 6).

 

Deus criou o mundo e nos ordenou “...frutifiquem-se e multipliquem-se...” (Gênesis 9, 7), também nos ordenou a não destruir a Sua criação. Quem assassina uma pessoa está indo contra a vontade do Criador.

 

 

 

 

 

Causar a Morte de Foma Indireta

 

Também está proibido causar a morte de nosso semelhante de forma indireta. Está escrito: “...da mão de todo animal (selvagem) a requererei...”(Gênesis 9, 5) – para incluir a pessoa que coloca a outra perante um animal selvagem para matá-la indiretamente. Ela também será cobrada pelo assassinato ao contratar uma outra pessoa para matá-la, pois está escrito na continuação do versículo: “da mão do seu irmão requererei” — para incluir a pessoa que mata uma outra através de um intermediário. [Extraído do livro “Decisões entre vidas e vidas”]

 

O assassino será condenado também por todos os descendentes que poderiam ter sido gerados pela pessoa assassinada. Quando Kain matou Hevel a Torah expressa: “Os sangues de seu irmão estão gritando...” – por que a Torah se expressa “os sangues” (no plural) ao invés de “o sangue” (no singular) – pois está se referindo ao sangue dele e de seus futuros descendentes. Portanto, no princípio somente um homem foi criado, para nos ensinar que, quem mata uma pessoa é como se estivesse matando o mundo inteiro; e quem mantém (ou salva) a vida de uma pessoa, é como se estivesse mantendo o mundo inteiro (Talmud).

 

A alma de uma pessoa assassinada suplica a Deus para vingar-se do assassino, e Ele atende às súplicas (Midrash).

 

 

 

Aborto

 

O aborto e envergonhar uma pessoa em público também são comparados pelos nossos Sábios ao assassinato.

 

 Está escrito (Gênesis 9, 6): “Quem derrama o sangue da pessoa na pessoa o seu sangue será derramado” - a expressão “o sangue da pessoa na pessoa está referindo-se também a quem derramar o sangue de quem se encontra “dentro da pessoa”, ou seja, o sangue do feto.

 

 

O Médico que é abordado para praticar um aborto

 

Não é permitido apoiar uma mulher que queira realizar um aborto – independente de que povo ou religião ela pertença – pois a proibição de assassinar foi ditada pelo Criador para toda a humanidade.

 

Portanto um médico que for abordado para realizar um aborto deverá negar, dizendo que não deseja participar no assassinato do feto.

 

 

Ao deparar-se com uma questão vital, qual seria sua reação natural?

 

Para a maioria, essa resposta seria inclinada para a intuição. Afinal, o coração é que costuma guiar nossos impulsos mais imediatos. Mas será que a intuição natural está sempre correta? Até que ponto se pode confiar?

 

Especialmente em casos extremos, muitos nos vemos perplexos, paralisados pela pergunta — que caminho tomar? As conseqüências, em certos casos, podem ser fatais.

 

Como é possível, por exemplo, selecionar dentre dois indivíduos qual o merecedor de continuar vivo? Com que direito devo decidir preservar a vida de um em detrimento da vida de outro ser? Em uma decisão tão extrema como esta, faz-se muito difícil assumir para si o risco do erro, sem que isto converta-se em uma carga pesada demais para a consciência humana.

 

 O livro Decisões ente vidas e vidas traz a análise de inúmeros casos de natureza similar. Ajuda-nos a enxergar os assuntos mais diversos e atuais sob o prisma da sabedoria milenar da Torah, através da ótica dos nossos Sábios. Traremos em seguida casos e temas extraídos do livro citado; a intenção desta obra não é estabelecer leis em um assunto tão delicado e decisivo. O objetivo principal é o de proporcionar ferramentas para que o leitor possa expandir seu conhecimento, desenvolver e esclarecer conceitos relacionados ao nosso tema.

 

 

Tirar a vida de uma pessoa que está perseguindo a outra para matá-la

 

Existe um mandamento da Torah de salvar uma pessoa que está sendo perseguida, das mãos de seu perseguidor. Não devemos ter piedade do perseguidor.

 

Mesmo que seja proibido assassinar, no caso de uma pessoa que esteja perseguindo outra para assassiná-la é uma obrigação salvar o perseguido, mesmo que para isso seja necessário matar o perseguidor – caso não haja outra maneira de salvá-lo (Livro de leis Shulchan Aruch).

 

Fonte na Torah — Aprendemos este ensinamento pela proximidade entre o caso de uma jovem comprometida que foi violentada, onde a Torah nos permite salvá-la mesmo às custas da vida do delinquente, e o caso de uma pessoa que se levanta para matar o seu semelhante. A Torah aproximou os dois casos para que possamos estudar as leis de um para o outro. Desta forma aprendemos que podemos salvar o perseguido mesmos às custas da vida do perseguidor.

 

Um dos motivos deste mandamento é proporcionar condições básicas de vida para as pessoas salvando os mais fracos das mãos dos mais fortes. Deus Criou o Mundo e deseja que ele se encontre em boas condições para os seus habitantes (pois, desta forma, será possível nos dedicarmos para o cumprimento de Seus mandamentos).

 

 

 

 

Caso: “Escolha entre o feto e a mãe”

 

O marido esperava ansiosamente o nascimento de seu primeiro filho. O médico lhe chamou e declarou: “Somente um deles sobrevirá, você terá que escolher entre a sua esposa e o seu filho!” O que fazer?

 

Poderíamos pensar...

Talvez teríamos que deixar a mãe em vida – ela poderá trazer novos filhos. Também o filho já nasceria órfão e não haveria alguém que cuidasse dele da maneira adequada (como a sua mãe o faria). Porém este argumento pode ser retrucado. A Torah nos proíbe tirar a vida de uma pessoa para salvar a vida de outra – mesmo que ela se encontre em piores condições. Não podemos matar um órfão ou uma pessoa com certas limitações para salvar a outra que se se encontra em melhores condições. Nós não temos parâmetros para avaliar qual das duas vidas é mais importante. 

 

Consta no Talmud – Durante um parto, onde o feto está colocando a vida da mulher em perigo, está permitido tirar a vida do feto para salvar a vida de sua mãe. E assim deve ser feito.

Porém esta lei rege somente quando o feto todavia não retirou a cabeça ou a maior parte de seu corpo para fora do corpo de sua mãe, pois caso contrário, o feto já é considerado como uma pessoa independente; e assim como ele está pondo em risco a vida de sua mãe, da mesma forma, a sua mãe está pondo em risco a sua vida — portanto será proibido matar a qualquer um deles para salvar o outro (Livros de leis judaicas Shulchan Aruch).

 

Se o feto é considerado uma vida mesmo antes de nascer, como poderia estar permitido matá-lo para salvar a mãe? [Já sabemos que está proibido matar uma pessoa para salvar a outra!?]

 

Portanto explica o Sábio Maimônides que, neste caso o feto está atuando — mesmo que inconscientemente — como um perseguidor e, portanto, está permitido salvar o perseguido mesmo às custas de sua vida.

 

Em resumo: Somente quando o feto (antes de ser considerado “nascido”, ou seja, antes de retirar a cabeça ou a maior parte de seu corpo de dentro do corpo de sua mãe) está colocando a vida da mãe em risco e a única maneira de salvá-la seria matando o feto, está permitido matá-lo. Os nossos Sábios explicam — Apesar de que não podemos salvar uma vida às custas de outra, existe um decreto da Torah que permite salvar o perseguido das mãos do perseguidor — mesmo às custas de sua vida; o mesmo se aplica no caso do feto que, somente para salvar a mãe (ou seja, o perseguido), existe uma permissão de matar o feto — sempre que não for considerado “nascido” — para salvá-la; porém, em relação às outras leis, o feto é considerado uma vida como outra qualquer. Portanto o aborto está totalmente proibido. Retirar a vida de um feto está incluído na proibição de assassinato.

 

Alguém que mata o seu filho, ou seja, o feto que se encontra no ventre de sua esposa – através do aborto – está destruindo a construção do Criador (consta no Talmud — Deus formou o feto dentro do ventre de sua mãe, colocou o espirito dentro dele, etc.; uma construção impressionante). Existem pessoas que matam a outras pessoas, porém esta pessoa (que aborta) está matando o próprio filho. Com este ato a pessoa está causando três males insuportáveis, causando lentamente a destruição da criação (pelos decretos oriundos de seu ato) e acrescenta uma desconexão entre Criador e a criação; vários males vêem ao mundo como conseqüência deste ato; estes são os males: Está matando o próprio filho; está destruindo a construção do Criador; está causando um distanciamento entre o Criador e a criação. Portanto desperta a força de acusação e o mundo sofrerá novos decretos que recairão sobre ele. “Pobre desta pessoa, seria melhor que não houvesse sido criada” (Zohar).

 

 Devemos ter em mente que estabelecer leis neste assunto tão complexo e importante – cada caso em particular – exige uma grande sabedoria e responsabilidade; é necessário uma análise profunda dos grandes Sábios da Torah em conjunto com médicos especialistas para esclarecerem a situação real do paciente e as possibilidades de tratamento. No final do capítulo “Grandes Temas” traremos vários casos adicionais.

 

 

 

 

Preceitos Adicionais

 

 

E

xistem outros temas e preceitos para toda a humanidade que não se incluem nas sete leis de Noé, de todas formas, eles nos foram transmitidos por tradição de geração em geração. Por não serem citados explicitamente dentre as sete Leis de Noé, eles são – em geral – desconhecidos do grande público. Neste capítulo traremos uma breve explicação desses temas.

 

 

 

Atuar Corretamente e com o Bom Senso

 

Existem preceitos que não foram entregues explicitamente aos Bnei Noach – porém o bom senso os compromete. O ser humano foi criado com inteligência e senso comum, portanto eles devem ser utilizados. Além dos preceitos específicos – todas as pessoas devem atuar corretamente e utilizar do bom senso em todos os campos da vida – em resumo, ser uma pessoa reta e boa.

 

Por exemplo, não ridicularizar os companheiros, não envergonhá-los, não odiar outra pessoa em seu coração, não falar mal de outra pessoa sem necessidade, não mentir, proteger os indefesos – fracos e oprimidos, não vingar-se, educar os filhos de acordo com os preceitos Divinos, ser simpático e educado. Mesmo que todos estes princípios não foram ordenados explicitamente para os Bnei Noach, de todas fomas, deve-se utilizar do bom senso para atuar com respeito e justiça.

 

 

 

 

Respeitar e Honrar os Pais

 

O bom senso compromete a pessoa a honrar e respeitar a quem a colocou no mundo; apesar deste motivo por si só já ser suficiente, podemos acrescentar a grande dedicação e preocupação em mantê-la viva e educá-la, mesmo às custas de grandes sacrifícios. Quantas noites sem dormir – doenças, fraldas e mamadeiras, quanta preocupação em sustentá-la e oferecê-la as melhores condições de vida; além de terem nos colocado no mundo e nos terem dado tanta dedicação, o mínimo que um filho ou uma filha deve fazer para retribuir é honrá-los e respeitá-los.

 

 

 

Benevolência

 

Uma pessoa deve se preocupar em ajudar aos necessitados. Este princípio faz parte da preocupação de esforçar-se – dentro do possível – para manter o mundo em boas condições para os seus habitantes e evitar uma possível desordem, uma vez que a ajuda aos necessitados evitará com que várias pessoas pervertam-se em seus caminhos.

 

Um dos motivos que uma pessoa adquire sucesso financeiro é para ajudar aos necessitados.  Conseguir um local de trabalho fixo para seu companheiro é melhor do que ajudá-lo esporadicamente, pois é mais digno para a pessoa sustentar-se através de seu próprio trabalho.

 

A cidade de Sodoma foi destruída por seus habitantes serem egoístas e não ajudarem aos seus companheiros (ver Gênesis capítulo 19). Portanto a benevolência deve ser estimulada.

 

“O primeiro patriarca do Povo de Israel, Abrahão, preocupou-se em plantar e cultivar um pomar para alimentar os viajantes com os deliciosos frutos que cresciam ali. Também estabeleceu uma pousada para que os viajantes pudessem pernoitar e se alimentar da melhor forma possível. Quando chegava o momento da partida, os viajantes agradeciam e abençoavam a Abrahão; então ele respondia: “Vocês acham que os frutos são meus? – Vocês comeram os frutos do Criador”, logo concluía: “Agradeçam e abençoem à Quem criou o mundo”. Eles perguntavam:“O que devemos dizer?” Abrahão explicava: “Bendito és Tú – o Deus do mundo – que comemos de Seus frutos”. Dessa forma Abrahão influenciava todos os seres humanos a conectarem-se com o Criador; ele praticava uma benevolência dupla – proporcionando para a humanidade benefícios tanto no aspecto material quanto no espirital.”  

 

 

 

Causar outra pessoa a transgredir um dos preceitos

 

 Não está permitido fazer com que uma outra pessoa transgrida um de seus preceitos; por exemplo – não convencê-lo, ensiná-lo ou enviá-lo a realizar uma tarefa proibida.

 

Apesar que os Bnei Noach não foram ordenados com o preceito de não colocar um obstáculo perante o cego – que inclui dar um conselho desfavorável ou ajudar alguém a concretizar uma transgressão – o bom senso diz que devemos influenciar nossos companheiros para o bem e não o contrário, com mais razão ainda quando trata-se de sua vida eterna – espiritual. Muito pelo contrário, ao vê-lo transgredir um de seus preceitos, devemos alertá-lo e tentar influenciá-lo para salvá-lo da transgressão.  

 

 

 

Preces

 

Um Ben Noach está isento de orações fixas. De todos modos, ao voltar-se para Deus com preces ou súplicas, estará cumprindo uma boa ação por livre e espontânea vontade e será recompensado. “Pois a Minha casa é uma casa de orações para todos os povos” (Isaías) – também para os Bnei Noach que respeitam as leis universais e não somente para o Povo de Israel.

 

Em momentos de dificuldades ou necessidades – como doenças, sofrimentos ou dificuldade financeira – deve-se orar e suplicar para Deus. Mesmo que esse preceito não se encontre dentro das leis de Noé, de todas formas esse é o princípio da fé em Deus – que somente Dele depende o nosso sustento, saúde; e caso nesse momento de sofrimento a pessoa não se volte ao Criador estará se comportando como alguém que não confia Nele e sim em outros poderes independentes.

 

Uma vez que a crença no Criador está incluída no cumprimento das leis universais – pois o cumprimento das lei de Noé sem a crença que foram ordenadas pelo Criador não serão consideradas – certamente deve-se pedir para Ele ajuda nos momentos difíceis reconhecendo que também todos os acontecimentos mundanos estão sob o Seu controle.

 

Devemos nos preocupar com nossa saúde e consultar médicos em caso de necessidade, porém, devemos orar e colocar nossa confiança em Deus – pois – no final das contas, tudo dependerá de Sua vontade.

 

Por orar a Deus em um momento de dificuldade a pessoa também será recompensada pela fé que colocou no Criador e pela prece que realizou.

 

 

 

 

 

Criar uma nova religião

 

Está proibido a um Ben Noach criar uma nova religião ou acrescentar novos preceitos – segundo o seu entendimento. Existem duas opções: a. Cumprir os preceitos que lhes foram ordenados – as sete leis de Noé e suas ramificações; b. Se integrar ao Povo de Israel e receber sobre si todos os preceitos da Torah. Porém está proibido modificar – retirar ou acrescentar novos preceitos.

 

Porém, um Ben Noach que queira cumprir esporadicamente algum dos preceitos da Torah para ser recompensado, poderá fazê-lo – exceto o cumprimento do Shabat, Tefilin e o estudo das partes da Torah que não estão relacionadas com as suas leis – pois estes preceitos fazem parte do pacto com o Povo de Israel.  

 

Uma pessoa que se converter ao judaísmo através de uma entidade rabínica confiável – segundo os preceitos da Torah – após realizar a circuncisão e o “banho ritual”(mikve) recebendo sobre si o cumprimento de todos os preceitos da Torah – será considerada como qualquer outro integrante do Povo de Israel; já não haverá mais regresso. Assim como alguém que já nasce como um integrante do Povo de Israel e não tem como desconectar-se de suas responsabilidades – também – qualquer pessoa que se junte ao Povo de Israel não terá como deixar essa conexão.

 

Mesmo quando alguém que nasceu no Povo de Israel – ou se converteu – pronunciar que decidiu abandonar a sua indentidade judaica, as suas palavras não terão nenhum valor; ele seguirá com a responsabilidade de cumprir todos os preceitos da Torah e será julgado pelo cuidado e dedicação em cumpri-los.   

 

 

 

A Esterilização - Castração

 

Não está permitido esterilizar – através da castração, vasectomia, etc. – uma pessoa, retirando a sua capacidade de reproduzir. Porém está permitido castrar um animal em caso de necessidade (para um integrante do Povo de Israel está proibido, como consta no tema “causar sofrimento aos animais”). 

 

 

 

Misturar dois tipos de árvores ou animais diferentes

 

 

Enxerto entre duas espécies diferentes

 

O Enxerto entre duas espécies diferentes não está permitido; tanto se for juntar um tipo de árvore com outro tipo de árvore, árvore com vegetais ou vegetais com árvores. Porém está permitido plantar em um mesmo terreno duas ou mais espécies mesmo sem separá-las (para um integrante do Povo de Israel existem restrições). Mesmo realizar o enxerto entre duas espécies parecidas não está permitido, e tampouco misturar as sementes de duas espécies distintas para produzir uma nova espécie.

 

O motivo...

Não devemos interferir na ordem da formação das espécies criadas por Deus – tanto na fauna quanto na flora, este preceito é conhecido como: “a lei de perpetuação das espécies”. Está escrito na Torah: “E Deus falou: A terra fará crescer vegetação... árvores frutíferas que produzam suas próprias espécies de fruto... E a terra produziu vegetação, plantas que produzem suas próprias espécies de semente... e árvores frutíferas que produzem frutos contendo suas próprias espécies de semente... e viu Deus que isto era bom”  (Gênesis 1, 11-12). 

 

Mesmo quando uma pessoa transgrediu e enxertou duas espécies distintas seus frutos estão permitidos; e também está permitido utilizar suas sementes para novas plantações. 

 

 

Acasalamento entre animais de distintas espécies

 

Também não está permitido acasalar duas espécies distintas de animais; tampouco está permitido causar qualquer estímulo para que venham a cruzar; e também não está permitido através da inseminação artificial. De todas formas, caso alguém transgrediu e os acasalou, as crias – ou seja, os animais híbridos – estão permitidos.

 

Quando os animais entraram na arca de Noé, entraram separados por espécies – um casal de cada espécie – e não de duas espécies misturadas; como está escrito (Gênesis 6, 20): “De cada espécie de pássaro em separado, de cada espécie de gado em separado...”, pois cruzar dois animais de espécies distintas está proibido.

 

Colocar dois animais de duas espécies em um único recinto está permitido. Somente em locais onde sabe-se que outras pessoas os farão acasalar ou quando provavelmente eles espontaneamente venham a se acasalar – não deve-se colocá-los juntos.

 

Está permitido juntar dois tipos diferentes da mesma espécie – por exemplo, dois cachorros ou gatos de distintas raças – porém, duas espécies diferentes, mesmo que sejam parecidas, não está permitido.

 

 

 

O Sábado

 

Um Ben Noach não deve determinar um dia de descanso em especial – abstendo-se de trabalhar – como está escrito: “...dia e noite não cessarão”; porém casualmente – não haverá problema; com muito mais razão, um Ben Noach não deve santificar um dia da semana em especial.

 

Quando Abrahão passou pelo povoado de “Aram Naaraim” e “Aram Nachor” observou que eles comiam e bebiam entusiasmadamente; falou: “Espero que a minha porção não seja nesta terra”. Quando passou pela terra de Canaan (Israel), observou que eles trabalhavam a terra duramente; logo exclamou: “Espero que minha porção seja nesta terra”; então Deus lhe revelou: “Esta terra entregarei para os seus descendentes”.  

 

 

 

Estudo da Torah

 

Um Ben Noach deve estudar somente as partes da Torah relacionadas com os preceitos que lhes foram ordenados.

 

Todos os preceitos lógicos podem ser estudados, pois mesmo que não foram entregues explicitamente aos Bnei Noach – eles estão comprometidos pelo bom senso.

 

 

O Estudo da Cabalá

 

Hoje em dia a palavra “cabalá” está altamente relacionada com moda e dinheiro – cursos e livros seduzem as pessoas usando o termo “cabalá” – ao escrever a palavra “cabalá” em um produto, crescem as chances de sucesso. Portanto, muitas pessoas, pensando em ganhar dinheiro ou tirar algum tipo de proveito – buscando a honra influenciando outras pessoas, entram nesse ramo.

 

Para que possa entender corretamente os conceitos da Cabalá, uma pessoa deve possuir, entre outras condições, uma forte base no estudo da Torah, e comportar-se de forma digna, compatível com todos os seus ensinamentos. Aquele que não estiver verdadeiramente preparado não chegará a um entendimento real e  poderá até sofrer danos ao tentar aprofundar-se em conceitos tão abstratos.

 

De todas formas, não está permitido para um Ben Noach se envolver com os estudos de Cabalá; este estudo também poderá lhe causar sérios danos espirituais. Em seguida traremos o relato de um caso verídico relatado por Salomão (Shlomo) Shimoni; cidade Rishon Letsion, Israel; antigo proprietário de um restaurante (lanchonete).

 

...Havia uma pessoa que frequentava o meu restaurante e atuava de foma muito estranha. Ele pensava que era o messias... Distribuía panfletos e divulgava também através de outros meios avisos criticando os Sábios, os políticos e seus próprios pais – argumentando que eles estavam equivocados – e que de fato, a verdade somente se encontrava com ele próprio; falava e acreditava que havia recebido uma revelação do “além” de que ele era o “novo messias”.

Salomão, preocupado que ele viesse a espantar os seus clientes, tentava expulsá-lo de seu restaurante: “Este indivíduo perturbava os meus fregueses, tentava convencê-los de suas idéias. Quem se atrevesse a contradizê-lo, era calado por ele e ainda recebia um longo sermão – ameaçava-o dizendo ser forte e violento”.

Muitas pessoas o conheciam; ele distribuía panfletos nos cruzamentos, na rodoviária, nas caixas de correios dos edifícios... [Em Israel, é costume colocar nas entradas dos prédios  uma grande caixa de correio com divisões – cada apartamento em separado]

Certo dia, encontrava-se no restaurante, um senhor de idade – bem velhinho – aparentava ser um Sábio; todo dia ele aparecia no mesmo horário e pedia a mesma salada que custava 5 shekalim (aproximadamente $1,50) e comia em silêncio em um canto do restaurante – esta era a sua refeição – ele aparentava ser muito fraco e bem magrinho; inclusive andava com dificuldade. Logo chegou o conhecido indivíduo – meio maluco – que afirmava ser o messias...

Ao perceber o senhor sentado no canto da lanchonete, sentiu-se incomodado; em geral, eles nunca se encontravam, pois freqüentavam o local em horários distintos.

Aproximou-se dele e começou a perturbá-lo e difamá-lo – aos gritos – na frente de todos os fregueses.

Este senhor se levantou; logo observou que Salomão – o dono da loja – se aproximou para tentar ajudá-lo. Porém ele solicitou: “Por favor, deixe-me resolver este problema sozinho!”. Salomão respondeu: “Senhor, desculpe-me, porém no meu restaurante eu não aceito esse tipo de comportamento, este homem vai afastar os meus clientes...”

Porém, em um segundo pensamento, Salomão concluiu: “Mesmo que eu perca os meus clientes com esta confusão – hoje eu não vou me intrometer – vou ver como este Rabino vai cuidar do caso... Salomão ficou de lado observando o que se passaria.

Este Senhor de idade olhou para o louco e falou: “Eu espero que Deus te perdoe pelo o que fizeram com você!” – Salomão não entendeu muito bem a que este senhor estava se referindo, porém continuou em silêncio – curioso – para ver a reação do outro lado.

“Deus não tem que me perdoar de nada” – Respondeu o louco.  “Eu estou muito certo no que estou fazendo!” – Continuou. Logo prosseguiu aos berros, difamando-o e também aos grandes sábios da Torah de nossa geração. Os berros estavam “violentos”. “Será que ainda me restará algum cliente?” – Pensou Salomão; porém seguiu quieto...

Então o Senhor, mesmo sendo bem fraquinho, de forma surpreendente, deu-lhe um tapa no rosto com tanta força que o louco caiu sobre a mesa... O Senhor olhou para o louco e o advertiu calmamente: “você vai parar com esta história e desaparecer desta cidade para sempre!”

“E agora, o que será que ele fará com o velhinho?” – Pensou Salomão. “Ele é extremamente forte e violento; está sempre ameaçando a quem quer que ouse contradizê-lo”. Ele era meio louco e não se controlava. Inclusive os policiais não se metiam com ele – Salomão ficou na expectativa...

O que fez esta forte e valente pessoa?

Simplesmente levantou-se, recolheu os seus pertences – que haviam caído de suas mãos, abaixou a cabeça e se retirou em silêncio do local...

Salomão me afirmou que, após este episódio, nunca mais esta pessoa foi vista na cidade; não distribuía mais panfletos na rodoviária e tampouco nos semáforos; nunca mais pisou em seu restaurante. Inclusive perguntou à várias pessoas que conhecia na cidade e todos afirmaram que nunca mais viram este sujeito circular pelos arredores da cidade.

Salomão queria perguntar à este Senhor de idade – que aparentava ser um Rabino – alguma explicação do ocorrido. Ele não estava entendendo o que aconteceu – porém tampouco este senhor regressou.

Em outra ocasião, entrou em seu restaurante Avraham, um dos mais antigos moradores da cidade. Eles conversaram um pouco e, ao tocarem no assunto “daquele louco que se auto proclamava messias”;

Avraham lhe advertiu: “Não deboche dele. Ele é um grande coitado”.

“Como não debochar?!” – Retrucou Salomão. “Avraham, o Senhor não escutou todas as besteiras que ele falava? Também gritava e ameaçava  a todos...”

“Eu vou contar a história dele...” – Prosseguiu Avraham.

“Ele era admirado por todos, realmente uma pessoa especial; todos na cidade o conheciam pela sua grande inteligência e capacidade. Ele se destacava e tinha um futuro promissor”.

“E o que aconteceu com ele?” – perguntou Salomão.

Então Avraham concluiu: “Um dia ele se inscreveu em um “curso de Cabalá”... Depois de uma semana ficou totalmente perturbado”.

"Não pode ser!!!” – exclamou Salomão. 

 

(Este episódio me foi relatado pelo próprio Salomão) 

 

 

 

 

 

Circuncisão

 

A circuncisão foi ordenada para Abrahão – o primeiro patriarca do Povo de Israel – e logo para o seu filho Isaak que seguiu o caminho de seu pai; e também para Jacob que continuou o trabalho de seus ascendentes.

 

Nossos Sábios explicam que os descendentes da segunda esposa de Abrahão, chamada Ketorá, também foram ordenados a cumprir com o preceito da circuncisão no oitavo dia de vida. Uma vez que os descendentes de Ishmael (os árabes) se misturaram com os descendentes de Ketorá, todos eles devem cumprir este preceito – porém os outros povos que não se misturaram com os descendentes de Ketorá estão isentos (Maimônides).

 

 

 

Uma transgressão cometida

sem intenção

 

Um Ben Noach que transgrediu inintencionalmente um dos preceitos que lhe foi ordenado – está isento de qualquer pena. Por exemplo – alguém que se relacionou com uma mulher pensando que ela era solteira e na verdade ela era uma mulher casada; este princípio é verdadeiro sempre quando o transgressor não foi negligente.

 

Em certas circunstâncias, um ato – mesmo que sem intenção – poderá ser considerado intencional; por exemplo, caso uma pessoa matou alguém ou teve um relacionamento com uma mulher casada – sabendo que ela era casada – porém não sabia que através desses atos ela estaria transgredindo uma das leis de Noé – uma vez que ela podia ter estudado e aprendido esses preceitos, será considerada culpada [Para um integrante do Povo de Israel essas leis são diferentes].

 

 

 

Entregar a vida para não transgredir um preceito

 

Um Ben Noach que foi ameaçado e forçado a transgredir um dos preceitos universais – inclusive a proibição de praticar idolatria – está permitido desrespeitá-lo para salvar a sua própria vida. O preceito de entregar a vida para não praticar idolatria foi entregue somente para os integrantes do Povo de Israel.

 

Consta no Livro dos Reis II (cap.5, vers.18-19) que Naaman, ministro do exército do rei de Aram, falou para o Profeta Elishá que não praticaria mais a idolatria – oferecendo sacrifícios para os ídolos; continuou Naaman falando que espera o perdão Divino por todavia continuar a prostrar-se perante o ídolo ao estar na presença do rei de Aram – pois está forçado a prostrar-se – caso contrário, ele o mataria; o Profeta Elishá respondeu: “Vá em paz” – pois concordou com a conduta de Naaman; daqui aprendemos que um Ben Noach não necessita entregar a vida para não transgredir um de seus preceitos – inclusive a idolatria. 

 

 

 

Causar Sofrimento aos Animais

 

Não está permitido causar um sofrimento desnecessário aos animais; portanto não está permitido tirar a vida de um animal desnecessariamente. Mesmo quando houver a intenção de utilizar partes de um animal – por exemplo, couro, pele, chifres, penas ou de um de seus membros, deve-se matá-lo antes de extrai-los, para não fazê-lo sofrer desnecessariamente.  

 

Está permitido para um Ben Noach castrar um animal somente em caso de necessidade – para não causar ao animal sofrimento desnecessário. [Para um integrante do Povo de Israel está proibido]

 

Podemos aprender deste preceito uma grande lição... Se mesmo aos animais não está permitido causar um sofrimento desnecessário, com muito mais razão está proibido causar um sofrimento para um de nossos semelhantes...

 

 

 

 

Grandes Temas

 

 

Noé e o Profeta Jonas – uma lição para a humanidade

 

O Profeta Jonas

[Extraído do Livro de Yona – O Profeta Jonas]

 

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á cerca de 2700 anos atrás viveu o profeta Jonas. Ele  foi ordenado por Deus através de uma profecia a viajar para Nineve, a grande cidade, e repreender seus habitantes, pois caso continuassem vivendo da mesma maneira como estavam vivendo, a cidade seria destruída.

 

Yona tentou fugir da presença do Eterno, descendo ao porto da cidade de Yafo onde embarcou em um navio cujo o destino era a cidade de Tarshish, e não como Deus havia ordenado; inclusive pagou o preço referente às passagens que todavia não haviam sido vendidas, para que o navio partisse imediatamente.

 

Deus  fez soprar um grande vento agitando o mar até o ponto que os passageiros pensaram que o navio iria naufragar. Cada um rezou para o deus que acreditava, lançaram ao mar todo o excesso de peso para tentar evitar o provável naufrágio, porém o Profeta Jonas resolveu descer ao fundo do navio, deitou-se e adormeceu. O capitão se aproximou de Jonas e o repreendeu por estar dormindo neste momento de perigo em vez de rogar para  Deus salvá-los desta situação.

 

Os passageiros resolveram fazer sorteios para saber o responsável por tudo o que estava acontecendo e a sorte sempre caia sobre Jonas, e então Jonas revelou à eles que estava fugindo da presença do Eterno e a única maneira pela qual poderiam se salvar era livrando-se dele, e então disse para que o lançassem ao mar.

 

Os homens tentaram fazer com que o navio retornasse à terra seca porém não conseguiram pois o mar estava cada vez mais agitado. Finalmente pegaram Jonas, lançaram-no ao mar, e o mar se acalmou. Os homens sentiram um grande temor do Eterno e prometeram se converter.

 

Um grande peixe engoliu Jonas que ali permaneceu três dias. Ele clamou ao Eterno de dentro das entranhas do peixe e finalmente Deus fez com que o peixe o lançasse à terra seca.

 

O profeta Jonas foi novamente ordenado através de uma profecia a viajar à Nineve, só que desta vez Jonas cumpriu com a ordem de Deus. Ele foi à Nineve e anunciou que ao final de quarenta dias Nineve seria destruída. O rei de Nineve e seus habitantes acreditaram em Yona e retornaram de seus maus caminhos; então Deus cancelou o mau decreto que havia dito que lhes faria.

 

O profeta Jonas sentiu-se muito mal, pois sabia que o arrependimento dos habitantes de Nineve causaria uma acusação ao povo de Israel que não estavam escutando as palavras dos profetas para que melhorassem os seus atos. Jonas saiu da cidade fez para si uma cabana e sentou-se debaixo dela para observar o que se passaria com a cidade de Nineve, pois caso não continuassem em um estado de arrependimento talvez o mau decreto recairia novamente sobre eles. 

 

Deus preparou um “Kikaion” (uma planta) a qual subiu por cima de Jonas para fazer sombra sobre sua cabeça e salvá-lo dos raios do sol, e Jonas sentiu uma grande felicidade. No princípio da manhã seguinte Deus fez com que um verme cortasse a planta e ela se secou. Ao nascer do sol Deus trouxe um vento ensurdecedor e o sol bateu na cabeça do Jonas e ele desmaiou e pediu para que sua alma o deixasse. Então Deus o repreendeu falando: "Tu sentistes pena da planta pela qual não te esforçastes e não a fizestes crescer, que em uma noite cresceu e numa noite se perdeu, e eu não terei pena de Nineve, a grande cidade, etc.”  

 

 

O Poder do Arrependimento

Está escrito em Jonas (capítulo 3): "E acreditaram os habitantes de Nineve nas palavras de Deus e foi decretado (um dia de) jejum e vestiram (roupas de) saco... e (o rei de Nineve) se levantou de seu trono, tirou o seu manto e se cobriu com saco, e sentou sobre cinzas... (e todos os habitantes de Nineve rezaram com todo o coração e cada um retornou de seu mau caminho e do roubo que se encontrava em suas mãos...) e viu Deus o que fizeram e eis que retornaram de seus maus caminhos e Deus se arrependeu do mal que havia dito que lhes faria, e não o fez".

 

Vemos neste trecho o poder do arrependimento e da vontade de aprimoramento pessoal. Porém, não é suficiente uma mudança apenas superficial, pois mesmo que externamente, aparente ser uma nova pessoa, na verdade a sua essência continua sendo a mesma. Como ensinam os nossos Sábios: "E viu Deus o que fizeram (e eis que retornaram de seus maus caminhos)", e não está escrito que Deus viu a roupa de saco que vestiram e o jejum que fizeram. Deduzimos, portanto, que os atos externos são secundários e o principal é a consciência da importância do verdadeiro arrependimento e a vontade de se conectar com Deus. [Extraído do livro “O Livro de Yona” capítulo Os Três Contos]

 

Também Noé recebeu a missão de alertar a humanidade para que retornasse de seus maus caminhos, como traremos em seguida.

 

 

Noé e a Geração do Dilúvio

 

Na geração do dilúvio a idolatria e a imoralidade propagaram-se em todo o mundo; “O mundo perverteu-se (com a prática da idolatria e imoralidade) perante Deus, e a terra encheu-se de roubo” (Gênesis 6, 11). Eles procuraram somente satisfazer seus instintos; não queriam procriar-se, geravam o menor número de filhos possível – transgredindo a ordem que Adão recebeu do Criador de procriar-se e multiplicar-se (Gênesis 1, 28).

 

Para oficializar a libertinagem, estabeleceram contratos matrimoniais com animais ou entre dois homens – “legalizando” a imoralidade, transformando-a em algo normal; eles ignoraram as leis universais.

 

Deus decretou: “O fim de todo ser apresentou-se perante de Mim...” (Gênesis 6, 13). Noé tentou influenciar a humanidade para que retornasse de seus maus caminhos e dessa forma conseguisse cancelar o mau decreto da destruição através do dilúvio.

 

 

A Arca de Noé

 

Por vários anos Noé plantou árvores de Cedro para se utilizar da sua madeira na construção da arca – a conhecida “Arca de Noé” – como havia sido ordenado por Deus.

Por que Deus exigiu de Noé esforçar-se tremendamente na construção da arca por vários e vários anos?!

Um dos motivos de toda essa preparação foi despertar a atenção de todos e dessa forma adiverti-los para que retornassem de seus maus caminhos.

 

Eles perguntavam a Noé: “O que você está construindo?”

“Uma arca” – respondia Noé; e seguia explicando: “O Criador enviará um dilúvio sobre toda a face da terra”.

Porém eles respondiam com audácia: “Se vier o dilúvio, virá sobre a tua própria casa!”; e não retificaram os seus atos; portanto o decreto do dilúvio foi concretizado. 

 

 

 

Adão e Noé - “Dois Princípios”

 

Atualmente a humanidade é conhecida como “Bnei Noach” – “Os filhos (descendentes) de Noé”. Por que os povos do mundo não são chamados “Os filhos de Adão”? Noé também foi descendente de Adão!?

 

De fato, até a vinda de Noé, a humanidade era chamada de “Filhos (descendentes) de Adão”, não para glorificar Adão, e sim como um lembrete – como que estivesse falando: “Vocês são filhos de Adão, que transgrediu o preceito de Deus”.[em seguida explicaremos como entender a transgressão e o erro de Adão em um nível um pouco mais profundo]

 

Com a chegada de Noé, a humanidade passou a ser conhecida como “os filhos de Noé”, como consta na Torah (Gênesis 6, 9): “Estas são as gerações de Noé – está escrito “as gerações de Noé” e não “as gerações de Adão”.

 

Nos resta perguntar...

Após o dilúvio o versículo relaciona a humanidade com Adão e não com Noé; está escrito que Deus desceu para ver a cidade e a torre que construíram os filhos (descendentes) de Adão; Por que a Torah os chamou de filhos de Adão e não filhos de Noé?

 

A resposta...

Uma vez que eles transgrediram os preceitos de Deus, são relacionados com Adão que também transgrediu o preceito de Deus; como se estivesse lembrando: “Eles são filhos de Adão que transgrediu o preceito de Deus, portanto causou que seus descendentes também os transgredissem”; porém, não foram relacionados com Noé – pois ele respeitou todos os preceitos Divinos.  

 

 

Entendendo o erro de Adão de forma um pouco mais profunda

 

 

“Deus criou o homem reto, mas ele procurou fazer muitos cálculos”

(Eclesiastes 7,29)

 

          O primeiro homem (Adão) e sua esposa (Eva) possuíam uma  grande vontade de se elevar cada vez mais, e santificar o nome de Deus.

 

           Deus os havia proibido  de comer do fruto da sabedoria do bem e do mal, porém, a serpente seduziu a esposa de Adão com o argumento de que se apenas experimentassem o gosto do mal, e depois o rejeitassem, conquistariam um novo aspecto de santidade. Mesmo que – temporariamente – houvesse uma perda,  ao longo do tempo elevariam-se ainda mais. “A árvore foi tentadora para Eva por sua beleza, oferecendo a oportunidade de conquistar um novo mundo de conhecimento que ainda estava oculto” (Midrash). Então Eva comeu desse fruto – e depois deu também para Adão comer.      

 

          Todos os cálculos foram muito elevados, e com boas intenções, porém só havia um problema.... transgrediram a ordem de Deus.

 

          O mesmo ocorreu com o profeta Yona, assim como em outros casos relatados na Torá.  Alguns exemplos serão dados:

 

Cham – filho de Noach (Noé), querendo salvar a reputação de sua esposa que estava grávida de ''Shamchazael'' (e depois deu a luz a Sichon) manteve relações matrimoniais com ela dentro da arca (para que as pessoas pensassem que Sichon fosse filho dele), desrespeitando desta forma a ordem de Deus que proibiu este tipo de relação dentro da arca. Portanto, ele e seus descendentes foram amaldiçoados para sempre (Talmud).

 

O Rei Shaul – desobedeceu a ordem que recebeu de Deus (através do profeta Samuel) de matar também os animais do povo conquistado, argumentando que os melhores bois e carneiros poderiam ser utilizados como sacrifícios para Deus. Assim, ele sentiu pena de perdê-los. No entanto, o profeta Samuel disse: “Deus deseja que tu obedeças a Ele e não  que tragas sacrifícios – em vez de cumprir Sua vontade. Uma vez que tu rejeitastes a palavra de Deus, agora Deus te rechaça como rei! ''. Mesmo que a nossa vontade seja a de fazer uma boa ação não podemos desobedecer uma ordem de Deus.

 

Devemos ter em mente que mesmo sendo todos os nossos cálculos verdadeiros, e todas nossas intenções sejam boas, nada prevalece sobre um mandamento de Deus. Assim sendo, o correto é reconhecer que nossos cálculos são limitados e o mandamento de Deus está acima deles. Se seguirmos os nossos cálculos em oposição à ordem Divina, significa que fracassaremos na prova e, com certeza, sairemos perdendo. E ao contrário, se nos superarmos, cumprindo a ordem de Deus, mesmo contra os nossos cálculos, significa que  passaremos com sucesso pela prova e, no final, Ele se preocupará conosco. [Extraído do Livro de Yona cap. Cálculos elevados porém limitados]

 

 

 

A Origem da Magia

 

Na época de Enosh — neto de Adão, todos eram peritos em bruxaria, e sabiam como interferir na atuação dos entes espirituais através dessas forças. Até mesmo as crianças interessavam-se e aprendiam sobre a sabedoria das forças espirituais impuras.

 

Adão possuía essa sabedoria e a ensinou a seu filho Shet, e Shet ensinou a seu filho Enosh, com o objetivo de entender e saber como instruir em questões relacionadas a este tema, mas não para utilizar esses conhecimento de forma prática.

 

Quando Enosh viu que com esta sabedoria poderia interferir nas forças espirituais, ensinou publicamente e se empenhou na utilização dessas forças. Fizeram diferentes usos com bruxarias e magias, até que, na geração do dilúvio, esta sabedoria começou a ser disseminada. Todos faziam uso dessas forças para o mal, inclusive praticavam-nas contra Noé, que os repreendia pelos seus maus atos e os advertia que, se continuassem atuando desta forma, Deus traria o dilúvio sobre a Terra. Os povos retrucavam a Noé que não seria possível trazer o dilúvio sobre a humanidade, pois usariam de seus conhecimentos de magia para anular todos os decretos que tivessem sido feito contra eles.

 

Na geração de Noé todos conheciam esta sabedoria, e eram familiares a todos os entes espirituais responsáveis por cada área de atuação no mundo. Pensavam também que Deus havia abandonado a direção do mundo entregando-a nas mãos destes entes espirituais. Confiavam na ilusão de que poderiam controlar todos os eventos do mundo através de seus conhecimentos. Tinham a ilusão de que não necessitavam mais de Deus. Isto causou o dilúvio.

 

Não sabiam que Deus continuava controlando toda a existência. É Ele Quem fornece a força para que cada ente espiritual possa cumprir a sua função, e todos estão subordinados a Ele. As pessoas enganavam-se, acreditando no aparente domínio independente dessas forças. Sua audácia fez com que não escutassem a repreensão amigável dos justos que viviam em suas gerações, alertando para o perigo eminente, relatado por Deus.

 

Após o dilúvio, sobreviveram apenas Noé e sua família. Esta sabedoria chegou até Abrahão;  Abrahão a transmitiu aos filhos de Hagar (também conhecida como Ketura – a sua segunda esposa), como consta no Talmud. Abrahão conhecia esta sabedoria com a intenção de instruir-se em questões relacionadas a este tema, e não com a intenção de utilizá-la de forma prática.[Extraído do livro O Místico, Cap. Conceitos]

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A Origem da Idolatria

 

Nos tempos de Enosh neto de Adão, as pessoas cometeram um grande erro pensando o seguinte: “Deus criou as estrelas no espaço celestial com um grande esplendor com o objetivo de controlar o mundo através delas. Seria portanto digno louvá-las e glorificá-las e, desta forma, honrá-las, pensando que, provavelmente, esta seria a vontade do Criador, uma vez que Ele mesmo as criou”. A partir deste erro, começaram a construir imagens de estrelas e fazer-lhes sacrifícios, pensando que agradariam a Deus. E este foi o princípio da idolatria.

 

Com o correr do tempo, surgiram falsos profetas, estimulando as pessoa a servirem as estrelas e fazer-lhes sacrifícios; também ensinavam como construir imagens de estrelas e prostrar-se a elas. Surgiram outros falsos profetas argumentando que recebiam revelações das estrelas, de anjos ou de outras forças espirituais, e ensinavam como servi-los. Esta prática espalhou-se pelo mundo inteiro. O tempo foi passando e já não se mencionava mais o nome de Deus. Praticamente, todas as pessoas conheciam e trabalhavam unicamente para essas forças; somente poucas pessoas no mundo conheciam a força original do Criador.

 

 Esta situação permaneceu assim até o nascimento de Abrahão. Refletindo sobre a ordem existente na natureza, Abrahão chegou à conclusão de que, obrigatoriamente, existe um Deus que criou e controla toda a criação, e que não existe nenhuma força independente Dele. Para Abrahão, estava claro que todas as pessoas que se relacionavam com as forças dos elementos da natureza como forças independentes estavam equivocadas. Abrahão começou a influenciar o mundo, demonstrando a existência de um Criador. Isaac, o filho de Abrahão, perpetuou a sua missão. Seu neto Jacob também assim o fez; e deste foi formado o Povo de Israel, que reconheceu a unicidade de Deus. Portanto, foi este o povo escolhido para receber e transmitir a Torah, Livro Sagrado, que instrui, auxilia e que inspira os nossos atos no mundo em que vivemos para alcançar o objetivo determinado por Deus. [Extraído do livro O Místico, Cap. Conceitos]

 

 

 

 

 

 

A Atuação do Bem e do Mal

 

No mundo em que vivemos, podemos perceber a atuação do bem e do mal; as suas diferenças estão visíveis aos nossos olhos. Porém – ocultamente, por detrás da atuação do bem e do mal, encontra-se a interferência da integridade Divina – direcionando todos os acontecimentos da Criação para um bem mais elevado.

 

Todo o objetivo da existência do mal foi proporcionar o livre arbítrio, oferecendo ao ser humano a possibilidade de optar em que caminho seguir – com quem se conectar; ao ser concluído, os planos de Deus serão revelados; a presença e a atuação do mal serão eliminados, pois a sua existência já não será mais necessária.

 

 

O Bem e o Mal – Uma Única Fonte

 

Para expressar o conceito que o bem e o mal são oriundos da mesma fonte traremos uma passagem extraída do livro “O Livro de Yona” (capítulo O Poço de Luz de Rabi Akiva)

 

Raban Gamliel, um sábio que viveu a cerca de dois mil anos atrás nos relata que uma vez estava viajando em um barco e viu um outro barco se romper e naufragar, sentiu muita dor em especial pela vida do grande sábio Rabi Akiva que se encontrava naquele barco.

 

Raban Gamliel, após ter chegado de viagem, surpreendeu-se ao ver Rabi Akiva chegar e se ocupar com o estudo de Torah em sua frente.

 

Raban Gamliel impressionado perguntou ao Rabi Akiva: “Quem te salvou?”

Rabi Akiva respondeu: "Uma tábua que se soltou do barco apareceu perante mim...", então Rabi Akiva se agarrou a esta tábua.

 

Rabi Akiva continuou a narrar: “...Quando uma onda do mar vinha em meu encontro eu mergulhava a minha cabeça dentro da água, até que a onda passsava por sobre mim e continuava adiante.”

 

Desta forma Rabi Akiva aproveitava do impulso da onda, “onda trás onda”, até que chegou em terra firme e se salvou.

 

Nossos sábios revelaram que por trás do significado simples desta história, ela foi escrita no Talmud também para nos transmitir ensinamentos em um outro nível de entendimento, assim como as demais histórias que foram relatadas no Talmud.

 

 

Análise do relato em um outro nível de entendimento

 

Em um outro nível de entendimento, o mar também faz uma alusão a este mundo,  as ondas uma alusão aos sofrimentos que a pessoa passa em sua vida e a água alusão a Torah.

 

Rabi Akiva nos explicou: “Quando uma onda do mar vinha em meu encontro...”, ou seja, neste outro nível de entendimento, quando uma dificuldade ou sofrimento aparece na vida de uma pessoa...

 

“...eu mergulhava minha cabeça dentro da água...”, ou seja, neste momento de dificuldade e sofrimento a pessoa deve fazer uma introspecção, ocupar a sua cabeça e analisar como aperfeiçoar os seus atos, como melhorar suas qualidades pessoais e como cumprir melhor com suas responsabilidades neste mundo  se baseando na sabedoria da Torah (“mergulhar a cabeça dentro da água”)...

 

“...até que a onda passava por sobre mim...”, desta forma Rabi Akiva aproveitava o impulso da onda, “onda trás onda”, até que chegou em terra firme e se salvou, ou seja, caso nós atuarmos desta maneira nos momentos de dificuldade, nós vamos estar crescendo como pessoa, as dificuldades vão passar por nossas vidas, e ao superá-las, nós estaremos usando do "impulso" deixado para o nosso aprimoramento pessoal e crescimento espiritual, e assim, "impulso trás impulso" estaremos conquistando novos níveis de formação pessoal.

 

Em uma nova análise podemos concluir que na verdade tanto o mar quanto as ondas são formadas de água, ou seja, na realidade, nossas vidas e as dificuldades ou os sofrimentos que passamos fazem parte de um grande cenário no qual o único objetivo é nos dar as condições necessárias para que possamos atingir o máximo de nosso potencial.

 

Rabi Akiva passou por várias dificuldades em sua vida, somente com quarenta anos começou a se dedicar com muita dificuldade ao estudo da Torah, passou pela destruição do Segundo Templo, destruição da grande cidade de Beitar, passou por duros decretos e inclusive foi aprisionado. A última e maior "onda" que passou pela vida de Rabi Akiva foi o momento de sua sofrida morte, porém mesmo neste momento ele não quis perder a oportunidade de aproveitar o “grande impulso” que lhe estava sendo proporcionado. Neste momento ele recebeu sobre si a unicidade de Deus, reconhecendo que inclusive aquele  momento difícil fazia parte de de um grande cenário criado para o seu crescimento pessoal. O talmud (Brachót 61a) conclui este relato exclamando “Feliz é Rabi Akiva cuja alma partiu enquanto recebia a unicidade de Deus (inclusive naquele momento tão difícil), feliz é você Rabi Akiva que está convidado a entrar diretamente no Mundo Vindouro”.

 

 

 

 

 

As Forças Impuras

 

As forças impuras podem se apresentar sob diferentes formas, porém, independente de sua forma, não devemos entrar em contato com elas. Elas poderão causar grandes danos e inclusive dominar a pessoa. Elas podem se expressar de forma atraente, segundo os interesses e  natureza de cada indivíduo; seriam como diferentes “máscaras” para ocultar uma mesma pessoa. Por exemplo, para uma pessoa má, podem oferecer meios para causar danos a outras pessoas; para uma pessoa boa, podem oferecer meios para praticar o bem, porém, de qualquer maneira, estará se conectando com as forças da impureza. Deus Deseja dar-nos o poder de escolha. Por isso, Ele concedeu aos que dominam estas forças poderes para realizar feitos atrativos; assim teremos mérito ao afastarmo-nos. O nível que nos será designado para toda a eternidade será proporcional ao esforço investido para aproximarmo-nos de Deus e do cumprimento de Seus mandamentos .

 

Ao se utilizar dessas forças negativas, a pessoa pensa estar controlando o mundo no lugar de Deus. Relaciona-se com essas forças como se elas fossem desconectadas da Providência do Criador, esquecendo que, na verdade, todas elas estão subordinadas a Ele.

 

As criaturas e as regras do mundo material podem ser conhecidas e entendidas por nós, porém, não podemos obter uma imagem clara do que acontece no mundo espiritual, pois ele está além da nossa percepção. Portanto, uma pessoa que utilize essas forças não saberá, realmente, com que tipo de força está se relacionando e o que estas estarão causando à sua alma. Além de cometer uma transgressão, poderá estar se colocando em perigo.

 

Deus revelou-se para todo o povo de Israel no Monte Sinai e entregou a Torá. Recebemos as “instruções do fabricante”, portanto está em nossas mãos lê-las e esforçar-nos por cumprí-las (para o Povo de Israel todas as leis da Torah; e para as outras nações as leis universais). Este é também um caminho de auto-aprimoramento, que leva à completude. E quando chegar o tempo designado, desfrutar-se-á eternamente pelo mérito de cada ato.

 

O sofrimento no mundo espiritual é o sofrimento verdadeiro em um mundo real – é o grande vazio que a alma sente pelas transgressões cometidas durante a presença neste mundo, causado pela impureza que foi cravada na alma, distanciando-a do Criador. Uma grande vergonha, um profundo arrependimento e a dor da perda enchem a alma como conseqüência do grande vazio e da impureza à qual optou por conectar-se. A pessoa que procurou se ligar ao Criador em vida, poderá unir-se à Sua Luz ao deixar este mundo, ao contrário daquela que se ligou com as forças da impureza. [Extraído do livro “O Místico”]

 

 

 

A Vida Depois da Morte

 

Hoje em dia, a vida depois da morte já não é mais um assunto somente religioso,  e sim um tema científico. Milhões de pessoas já passaram pela morte clínica. Somente nos Estados Unidos o Instituto Gallup publicou que em torno de 8 milhões de pessoas sofreram esta experiência. Uma porcentagem significativa destas pessoas lembra do que se passou com suas almas no período em que clinicamente foram dadas como mortas, conforme consta no livro “Life at Death” do Doutor em Psicologia Keneth Ring, que investigou durante vários anos pessoas que passaram pela morte clínica. Ele escreveu em seu livro que em torno de 37% das pessoas investigadas se lembraram, e especificaram detalhadamente, e de forma impressionante, tudo o que se passou ao seu redor, mesmo estando inconscientes (como consta no livro “Chaim Acharei a Mavet” - “A Vida Após a Morte- investigações e dados”, publicado pela instituição Arachim).

 

Há dezenas de anos que este tema vem sendo estudado por vários médicos e psicólogos. No livro “At the Hour of Death”, o psicólogo Carlis Ossis entrevistou 877 médicos que relataram o que se passou com seus pacientes que “voltaram a viver” após estarem por determinado momento clinicamente mortos. Quase todos esses médicos entrevistados, chegaram à conclusão que, obrigatoriamente, existe vida após a morte.

 

Crianças e adultos, praticantes como não-praticantes de todas as religiões, pessoas cultas e ignorantes, que inclusive não sabiam ler e escrever, foram investigadas.  Todas essas pessoas revelaram, de forma exata e detalhada, tudo o que ocorria em seu redor no momento em que passavam pela morte clínica, com as ondas cerebrais e o coração parados. Também revelaram os mesmos tipos de experiências espirituais com uma incrível semelhança entre os relatos, mesmo tendo, cada uma delas, uma vida totalmente diferente da outra, não somente em distintas épocas como em distintas culturas, descartando qualquer possibilidade de uma mera visão cerebral imaginária. Quanto mais longa e profunda a experiência experimentada pela pessoa, mais detalhado e impressionante foi o relato.

 

Após numerosas investigações, foram registradas as etapas em que estas experiências espirituais podem ocorrer. Várias destas pessoas, segundo os seus relatos, passaram por parte destas etapas, porém todas as experiências contadas por todos os entrevistados se enquadram em algumas destas etapas (como consta no livro “Chaim Acharei a Mavet” - “A Vida Após a Morte- investigações e dados”).

 

Em seguida, são listadas as etapas em que as experiências espirituais após a morte clínica podem ocorrer:

 

O momento em que a alma da pessoa se separa do corpo.

A consciência do que se passa ao seu redor, mesmo a alma estando fora do corpo.

A pessoa percebe que possui um corpo espiritual.

Ela é levada por um túnel.

Ela se encontra com parentes e conhecidos (que já faleceram).

Agentes espirituais acompanham e guiam a pessoa.

A  percepção de uma luz incrível.

A pessoa se comunica através do pensamento.

Todos os atos que a pessoa realizou em sua vida são mostrados para ela.

A pessoa é puxada de regresso para o seu corpo, argumentando que o momento ainda não chegou. A pessoa recebe uma missão.

 

[Nota: Todos estes estágios estão baseados nas investigações feitas pelos médicos e psicólogos com as pessoas  que passaram pela morte clínica, e depois voltaram a viver. Porém, uma pessoa que passa pela morte definitiva, ou seja, ela já não volta mais a viver, passa  por outros estágios (ver mais detalhes no Livro de Yona, capítulo “O corpo e a alma” - 1 e 2)].

 

Estas longas pesquisas modificaram o enfoque da ciência em relação ao corpo humano, que deixou de ser considerado “pura matéria” e passou a ser considerado uma combinação de corpo e alma. Também pesquisas por profissionais de outros ramos foram desenvolvidas, provando a existência da vida após a morte, tais como por exemplo, hipnose e regressão, para-psicologia, conexões com espíritos, pesquisas no ramo de reencarnação.

 

Porém, para estudiosos da Torah, isto não é nenhuma novidade. Como em todos os outros campos, com o desenvolvimento científico, a ciência se aproxima da Torá – que permanece estável desde o dia em que foi entregue há mais de 3300 anos atrás. Em seguida, traremos relatos que se encontram em nossos livros tradicionais.

 

O Talmud, depois de uma análise de certos versículos da Torá, conclui que os mortos sabem o que se passa em seu redor. Deve-se tomar o cuidado necessário para não se comportar perante um defunto de forma que poderá envergonhá-lo, pois ao fazê-lo eles exclamarão: “Amanhã eles estarão conosco e agora estão nos envergonhando” – como consta no Talmud.

 

Também o fato de recebermos um corpo espiritual ao sairmos de nosso corpo físico, se encontra em vários livros de estudo da Torah. Nossos Sábios explicam que o corpo da pessoa não é a pessoa, e sim uma roupagem para a sua alma. Na verdade, a pessoa é a sua alma, e ao sair deste mundo ela deixa a sua roupagem e se veste com outro tipo de vestimenta, mais pura e espiritual.

 

Também, o fato de passar por um túnel está melhor explicado no livro Zohar (escrito pelo Sábio Rabi Shimon Bar Yochai a cerca de 2000 anos atrás). Quando a alma deixa este mundo ela sobe para o mundo espiritual pela caverna que se encontra na cidade de Chevron em Israel, onde estão enterrados Adão – o primeiro homem e Eva, Abrahão e Sara, Isaac e Rebeca, Jacob e Lea, pois ali se encontra a entrada para o mundo espiritual.

 

Entes espirituais acompanham e guiam a pessoa como consta no Talmud. Esta passagem do Talmud nos relata que diferentes tipos de entes espirituais acompanham a pessoa, dependendo de seu nível espiritual. Isto está detalhado no livro Zohar, e ali nos é revelado que os familiares e amigos da pessoa vêm ao seu encontro. Se eles aparentam estar felizes é um bom sinal para esta alma, e se eles aparentam estar tristes é um mau sinal para ela.

 

A incrível luz que a pessoa sente, na verdade é a Luz de Deus, como consta no livro Zohar, que a alma não deixa o seu corpo até que a Luz de Deus se revele para ela, quando então, ela vai ao seu encontro. Está escrito no Zohar que a alma sente um grande prazer com esta Luz.

 

As almas se comunicam através do pensamento, como nos explica  Ramban (Shaar Hagmul), estando escrito no Talmud sobre o tema das almas que conversam, que a conversa da alma não é com os lábios, como nós conversamos, existindo uma transmissão e captação de informações.

 

Os atos da pessoa são mostrados para ela, como consta em várias fontes da Torá; uma delas aparece no Talmud, onde está escrito que todos os atos que a pessoa fez em sua vida se apresentam à sua frente, e sendo por ela confirmados.

 

Cada pessoa veio ao mundo com uma função, e isto depende de suas características, pois cada um, de acordo com suas tendências, terá que passar pelas provas que lhe serão colocadas. E esta é a sua missão neste mundo (Sábio R.Chaim Luzzato).

 

Qualquer pessoa que cumpra os sete preceitos de Noé e suas ramificações será digna de receber uma porção no Mundo Vindouro; porém, um integrante do Povo de Israel deve cumprir todos os preceitos que foram acrescentados com a entega da Torah – como já foi explicado na introdução do livo. [Extraído do livro “O Livro de Yona – capítulo A Vida Depois da Morte”]

 

 

 

Casos Adicionais Referentes a Vida Humana

 

 

Uma pessoa que de qualquer maneira já está para morrer

 

Nossos Sábios explicaram que está proibido causar a morte de uma pessoa — mesmo que lhe reste somente uns poucos momentos de vida; inclusive quando seja necessário para salvar a vida de uma outra pessoa — “de vida completa” — está proibido.

 

Portanto desligar as máquinas antecipando a morte de uma pessoa doente é considerado pela Torah assassinato – mesmo quando as intenções forem boas.

 

 

Um Doente em Estado Grave

 

Como já foi citado anteriormente – Está proibido causar a morte de uma pessoa – mesmo que lhe reste somente uns poucos momentos de vida; inclusive quando seja necessário para salvar a vida de uma outra pessoa — “de vida completa” — está proibido. Portanto desligar as máquinas antecipando a morte de uma pessoa doente é considerado pela Torah assassinato – mesmo quando as intenções forem boas.

 

Mesmo para uma pessoa muito idosa que adoeceu, e que expressa o desejo de falecer, estaremos obrigados a tratá-lo com todos os recursos necessários – como no tratamento de uma pessoa jovem.

 

 

Seria necessário alongar a vida de uma pessoa que se encontra em grandes sofrimentos?

 

Uma pessoa que se contagiou com uma grave doença e encontra-se num estado em que já não existem recursos medicinais para tratá-lo – somente para mantê-lo em vida por um curto período de tempo – talvez alguns meses; será que haveria a necessidade de tratá-lo mesmo que todo o tempo acrescentado viesse a ser um sofrimento para ele?

 

Neste caso, devemos comunicar ao paciente e perguntá-lo se está interessado em receber o tratamento; caso ele estiver interessado neste tempo extra de vida – mesmo que com muito sofrimento – deveremos tratá-lo; caso ele não esteja interessado, não será necessário.

 

Porém, se este acréscimo de vida for necessário até a chegada de um médico mais especializado, ou outro médico que desejamos escutar também a sua opinião, devemos tratá-lo – pelo menos por este período – mesmo que contra a sua vontade;

 

De todas formas está proibido adiantar a sua morte através de algum medicamento ou através de qualquer outro meio que venha a causar o encurtamento de sua vida, mesmo que por um único segundo; pois quem o fizer o consideraremos como tendo lhe tirado a vida. Portanto, se o paciente não desejar que lhe seja acrescentado – nestas condições de sofrimento – um curto tempo de vida, o máximo que se pode fazer é isentá-lo do tratamento, porém nunca acelerar a sua morte.

 

Quando não houver a possibilidade de lhe perguntar sobre a sua preferencia, podemos nos basear no fato de que as pessoas preferem que não lhe acrescentem um curto tempo de vida nessas condições de grande sofrimento.

 

Em um caso onde o paciente possa seguir vivendo por mais tempo, existe a obrigação de tratá-lo, mesmo quando se trata de uma pessoa em coma ou com limitações.

 

 

Para que paciente dar a preferência

 

Quando um médico é chamado para atender a dois pacientes simultaneamente e, um deles, está com a vida contada – ou seja, os médicos especialistas não lhe dão mais de um ano de vida ele deverá dar preferência ao paciente que não está com a vida contada.

 

 

 

 

 

 

 

Dois pacientes chegam no hospital simultaneamente

 

Dois pacientes chegam ao departamento de emergência do hospital em estado grave, e há somente um leito disponível. Um dos pacientes está em estado terminal – somente seria possível alongar a sua vida em alguns dias e apaziguar as suas dores; o segundo paciente – de acordo com a opinião dos médicos especialistas – pode ser salvo, porém não obrigatoriamente será necessário para o seu tratamento os recursos oferecidos pelo leito do departamento de emergência. Quem deve ser colocado no leito de emergência?

 

O paciente que não está em estado terminal deverá receber a preferência; porém, caso o paciente que se encontra em estado terminal já tenha sido levado para o leito, e o seu tratamento já começou – não poderemos interrompê-lo para tratar do outro, pois o próprio doente não tem a obrigação – e possivelmente está proibido – de salvar outra pessoa com a sua própria vida, mesmo que ela esteja contada. Porém, caso ele ainda não tenha sido levado para o leito, o outro paciente – que não está com a vida contada – terá a preferência, mesmo tendo chegado no hospital após o seu companheiro; tudo isto com uma condição – que na realização da “troca” não seja revelado ao primeiro paciente a sua verdadeira situação, pois ao perceber que os médicos estão desistindo de salvá-lo estaríamos antecipando a sua morte – como citaremos em seguida.

 

 

Os médicos não sabem como curá-lo

 

No hospital se encontra um paciente em estado grave, e os médicos não sabem como curá-lo. O que deve ser feito?

 

Os médicos devem se preocupar em oferecer as melhores condições a um paciente que se encontra nessas condições, tratando-o e medicando-o – com um medicamento que não venha a causar danos ao enfermo – para que o paciente não venha perceber que os médicos desistiram do seu caso; pois, caso contrário, o paciente desistiria de seguir vivendo lhe causando uma imensa dor. A desistência é o maior dano que se pode causar ao doente – não existe uma dor maior do que a dor de ver que os médicos já desistiram dele. Porém, se for possível conseguir um médico que entenda melhor do problema no qual ele se encontra, isto deve ser feito.

 

 

Uma pessoa que para se salvar necessita tirar a vida de outra pessoa

 

Mesmo que uma pessoa deva preocupar-se em salvar a própria vida antes de se preocupar em salvar a vida de seu companheiro, está proibido salvar-se às custas da vida de outra pessoa; pois, nós não temos parâmetros para avaliar qual das duas vidas é a mais importante.

 

 

Duas pessoas caminhavam e não havia água suficiente para os dois  

 

O seguinte caso está relatado no Talmud: Dois indivíduos caminhavam (em um local desértico); a água estava terminando – na posse de um deles encontrava-se uma pequena garrafa de água. Não era suficiente para salvar os dois; caso eles dividissem – ambos morreriam de sede. Havia somente a quantidade necessária para sustentar a vida de um deles, possibilitando-o chegar em um local habitado e seguir vivendo (porém o seu companheiro inevitavelmente faleceria).

Qual seria a atitude correta?

O Sábio Ben Petora explicou — o correto seria que ambos tomassem desta água mesmo que não fosse suficiente para salvá-los e, no final, ambos perecessem.

Até que chegou Rabi Akiva e concluiu: “...e viverá teu irmão contigo(Levíticos 25, 36) — A sua própria vida tem prioridade sobre a vida de seu companheiro — portanto o correto seria que o proprietário da água tomasse tudo sozinho. E a lei foi estabelecida como Rabi Akiva, ou seja, o proprietário da água tem a obrigação de tomá-la sozinho para se salvar, pois a sua própria vida tem prioridade.

 

 

Quando ambos forem proprietários da garrafa

 

Qual seria a atitude correta em um caso onde ambos são proprietários da água? Seria melhor que um dos dois tomasse tudo sozinho e se salvasse ou que os dois tomassem – acrescentando alguns momentos extras de vida para cada um deles? Seria permitido que um deles tomassem da água para se salvar mesmo contra a vontade de seu companheiro? Mesmo que em condições normais isto fosse considerado um roubo, nestas circunstâncias – onde o seu companheiro já está para morrer dentro de alguns momentos —  seria permitido?

 

Os nossos Sábios explicam que, quando ambos forem proprietários da água provavelmente, inclusive para Rabi Akiva, seria proibido que um deles tomasse tudo para si. (Igrót Moshe)   

 

Por um lado temos o mandamento de viver, ou seja, em caso de necessidade – onde certa transgressão seja uma condição para que possamos continuar vivendo, a Torah nos comandou transgredir os Seus mandamentos para que continuássemos em vida. Por outro lado este mandamento possui limitações.

 

Uma pessoa pode salvar-se através dos bens de outra pessoa mesmo sem a sua permissão (e assim que possível regressar o valor do dano causado). Porém em nosso caso, cada um dos amigos tem o direito de tomar a sua porção — mesmo que seja suficiente somente para lhe acrescentar alguns minutos de vida; pois uma pessoa deve se preocupar em salvar a sua própria vida – mesmo que temporariamente – antes de salvar a vida de seu companheiro. Portanto, ao roubar a porção de água de seu companheiro, estará lhe roubando a vida (Chazon Ish).

 

 

Não tomar decisões em um tema como este sem consultar uma entidade rabínica confiável

 

Estabelecer leis neste tema tão complexo e importante – cada caso em particular – exige uma grande sabedoria e responsabilidade; é necessário uma análise profunda dos grandes Sábios da Torah em conjunto com médicos especialistas para esclarecerem a situação real do paciente e as possibilidades de tratamento.

 

 

 

 

 

 

 

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